Sindicalistas e movimentos sociais lançam campanha pela reestatização da Embraer

Cerca de 200 lideranças de Centrais Sindicais, partidos e movimentos populares participaram do lançamento do Comitê pela Reestatização da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), na quarta-feira (15), na Assembléia Legislativa de São Paulo. Os deputados estaduais Pedro Bigardi (PCdoB) e Raul Marcelo (PSol) saudaram as lideranças presentes e se comprometeram em fortalecer a bandeira da reestatização.


O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Adilson dos Santos, denunciou que de 1994 para cá – a empresa foi privatizada em dezembro de 1994 – a Embraer recebeu 8,3 bilhões de dólares em recursos públicos, mas agora, sob a alegação de crise econômica, demite milhares de funcionários.

“Ao mesmo tempo em que fala em crise, a Embraer premia os seus executivos com bônus que somam R$ 50 milhões, esconde que perdeu R$ 180 milhões aplicados em derivativos, e que a atual direção privada, e cada vez mais controlada por acionistas de fora do país, pendurou a empresa no mercado externo”, acrescentou Adilson.

Venda - Segundo o diretor executivo da CUT, a empresa “foi vendida a preço de banana”. “Umavez privatizada, usufruiu bilhões em dinheiro público obtendo lucros recordes. Agora, ao primeiro sinal de crise, demitiu 4.270 trabalhadores e isso é inaceitável. Nós estamos aqui para exigir justiça, garantia de emprego e readmissão dos demitidos”, declarou.

Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, assim como a entrega da Vale e da CSN, a privatização da Embraer foi um crime que precisa ser revisto. “Defendemos a volta da Embraer e das demais empresas estratégicas privatizadas para as mãos dos brasileiros”, disse.

Sucesso - A Embraer nasceu em 1969 e, graças à competência técnica do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), colocou o País no seleto grupo dos 13 países que produzem aviões e em 3º do mundo.

Fonte: CUT
www.cut.org.br

Ferroviários do Rio mantém greve que chega ao quarto dia

O Sindicato dos Ferroviários do Rio de Janeiro decidiu manter a greve que chega ao seu quarto dia nesta quinta-feira (16), em assembleia realizada ontem. Os maquinistas iniciaram a paralisação na segunda (13), denunciando falta de segurança nos trens. Sete funcionários foram demitidos.

O Sindicato dos ferroviários condiciona o retorno das atividades à reintegração de um total de 11 maquinistas demitidos. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) recomendou que fossem reintegrados apenas os sete maquinistas dispensados após o início da paralisação.

Brutalidade - Na quarta-feira (15), emissoras de televisão veicularam imagens de quatro agentes de controle da SuperVia agredindo passageiros. Nas imagens, eles aparecem dando murros e chicotadas em passageiros que insistiam em andar nos vagões com as portas abertas. A concessionária está operando com 60% da frota no horário de pico e com 40% no restante do dia.

Sobre o episódio, a Força Sindical divulgou nota onde afirma que “as cenas são chocantes e inadmissíveis”. “A truculência dos agentes nos remete a idade medieval”, diz a entidade, exigindo a punição dos envolvidos.

Providências - “A Força Sindical irá cobrar explicações das autoridades do Estado do Rio de Janeiro, irá enviar uma representação ao Ministério do Trabalho e Emprego exigindo providências urgentes e fará uma denúncia formal na OIT (Organização Internacional do Trabalho)”, esclarece o texto.

Mais informações:
www.fsindical.org.br
www.agenciabrasil.gov.br

Dieese estima criação 500 mil vagas formais em 2009

O coordenador técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, afirmou na quarta-feira (15) que a tendência é que o emprego formal começe a gerar uma média mensal pouco superior a 50 mil postos no decorrer de 2009, o que seria um reflexo da gradual retomada da economia, sobretudo no segundo semestre.

“Mas, para que isso ocorra, será necessário o PIB (Produto Interno Bruto) crescer entre 1% e 2% em 2009. Caso a expansão do País seja nula, a criação de empregos com carteira assinada não deverá passar de 200 mil”, esclarece Ganz Lúcio.

Para o coordenador, as medidas adotadas pelo governo para estimular a economia, como as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a construção de um milhão de moradias, devem dar um suporte relevante para que o País cresça entre 1% e 2% neste ano.

Petrobrás - Ganz Lúcio ressaltou ainda que a ampliação dos investimentos da Petrobrás é importante para incrementar o PIB potencial do País. “A ampliação da capacidade de investimentos da Petrobras é importante por causa de alguns fatores. Um deles é que dá mais condições para ampliar os investimentos públicos, pois numa conjuntura internacional muito ruim isto ajuda a estimular o nível de atividade no País”, comentou.

Mais informações:
www.dieese.org.br

Fiat e fornecedores contratam 1.200 até final de abril       

O grupo Fiat e mais 11 empresas fornecedora de autopeças, anunciaram que desde meados de março estão contratando trabalhadores e deverão encerrar abril com cerca de 1.200 admissões e recontratações feitas em 45 dias.

Ao menos 1.019 desses trabalhadores estarão no grupo Fiat. Essas empresas, porém, não aceitaram renovar os acordos de estabilidade no emprego que vigoram desde janeiro. A Fiat em Betim produzia até setembro 3.000 carros por dia. Agora produz 2.600 e, com as contratações, chegará a 2.800.

Vagas - A Fiat Automóveis, FPT Powertrain e Comau firmaram com o Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região um acordo coletivo de trabalho no qual informam que, de março até esta quarta-feira, foram realizadas 742 contratações. No acordo, as empresas se comprometeram a contratar mais “no mínimo 380 trabalhadores metalúrgicos ainda no mês de abril”.

Fonte: Diap
www.diap.org.br

Começa portabilidade nos planos de saúde

Os clientes de planos de saúde já podem mudar de operadora sem cumprir novo prazo decarência. Serão beneficiados 7,5 milhões de usuários. Para mudar de plano e ter acesso imediato aos procedimentos médicos e hospitalares é necessário estar no plano há pelo menos dois anos ou três, no caso de doenças pré-existentes, e a mensalidade em dia. A partir da segunda portabilidade, o prazo é de dois anos. A mudança é gratuita.

 


Altamiro Borges é jornalista, editor da revista Debate Sindical

 

Anatel persegue rádios comunitárias

Por Altamiro Borges

Na semana passada, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) destruiu, em São Paulo, oito toneladas de equipamentos apreendidos de radiodifusores comunitários. A operação foi feita com máquinas cedidas pela prefeitura paulistana e foi acompanhada pelo prefeito demo Gilberto Kassab. O ato de vandalismo teve forte repercussão na mídia hegemônica, que sempre tratou as rádios comunitárias como “piratas” e considerou mais esta destruição como um “ato simbólico”.

Como registrou o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), “a destruição de equipamentos de rádios comunitárias constitui um ato de ignorância e prepotência, representa uma atitude deliberada contra a democratização da comunicação e deixa às claras os temores de setores empresariais frente à Conferência Nacional de Comunicação”. O desproporcional alarde da mídia e a presença do prefeito demo confirmam a intolerância das elites diante das iniciativas de abnegados radiodifusores populares, que lutam para garantir voz às suas comunidades.

Serviçal dos barões da mídia

Ao patrocinar este ato grotesco de vandalismo, a Anatel mais uma vez explicitou que defende os interesses dos “barões da mídia”. Na constituição dessa agência reguladora ficou definido que ela também deveria trabalhar pelo fomento das rádios comunitárias, dada a sua importância para as comunidades. No entanto, até hoje a Anatel só perseguiu os radiodifusores populares e destruiu os seus equipamentos, comprados com enorme esforço dos comunicadores sociais. A legalização das rádios comunitárias esbarra sempre na enorme burocracia e no desinteresse da agência.

Como afirma a nota da FNDC, “a Anatel atua de modo contrário à democracia. Ao destruir os equipamentos, ela pratica um ato de vandalismo, investindo contra um patrimônio coletivo e de inestimável valor social para as comunidades. Ao destruí-los, a Anatel age de modo prepotente, pois lhe caberia a guarda do material e as providências para a sua preservação e reutilização, considerando que está em curso o aperfeiçoamento da legislação vigente e a regularização de milhares de emissoras comunitárias, cujos processos aguardam despachos do governo federal”.

“A destruição de equipamentos também representa uma cabal demonstração de ignorância sobre o papel fundamental da comunicação para a consolidação da democracia, o fortalecimento da sua pluralidade e dos laços culturais da nação brasileira. A desabusada prática de vandalismo e prepotência perpetrada pela Anatel não se deve a qualquer eventual desvio de suas funções, mas sinaliza que aquela agência e os interesses dos grandes grupos de mídia nela abrigados movem-se contra a realização da Conferência Nacional de Comunicação, prevista para dezembro”.

Altamiro Borges é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo"