Bancários aprovam proposta
e põem fim à greve

Após 15 dias de paralisação, as assembleias realizadas na quarta-feira (13) pelos Sindicatos de bancários de todo o País aprovaram a proposta de reajuste salarial de 7,5% para quem ganha até R$ 5.250 feita pelos bancos privados. Acima dessa faixa, a oferta é uma parcela fixa de R$ 393,75 ou a correção da inflação (4,29%). As instituições públicas – Banco do Brasil e Caixa – vão conceder o reajuste de 7,5% independente do salário.

Com a conquista de avanços importantes em relação às principais reivindicações da categoria, como aumento real e maior Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR), os trabalhadores decidiram voltar ao trabalho nesta quinta-feira (14).

“O resultado da negociação é fruto do tamanho da greve. Fizemos a maior greve dos últimos 20 anos e faremos o melhor acordo desse período, pois a maioria já aprovou as propostas nas assembleias”, afirma o presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro.

A proposta aprovada pelos bancários inclui ainda reajuste de 7,5% para todos os benefícios. A PLR também será corrigida em 7,5%, com exceção do limite individual da Parcela Adicional, em que o valor passará de R$ 2.100 para R$ 2.400 (14,28%). Para os funcionários da Caixa, a proposta é distribuir 4% do lucro líquido de maneira linear para todos os empregados.

A greve, iniciada quando a federação patronal ofereceu reajuste de 4,29% (equivalente a inflação) aos funcionários, paralisou cerca de 8,3 mil agências em todo o País. “Os banqueiros não queriam ceder, mas graças à forte greve, conquistamos na mesa de negociação o sétimo ano consecutivo de aumento real nos salários”, ressalta Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Mais informações:
www.contrafcut.org.br

Eleição 2010 amplia bancada sindical no Congresso

A representação dos trabalhadores no Congresso Nacional foi ampliada no último pleito, segundo levantamento preliminar do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) que identificou 67 congressistas – 61 deputados e seis senadores – que vão compor a nova bancada sindical. Atualmente, a bancada é formada por 61 congressistas – 54 deputados e sete senadores.

Da bancada atual, 47 disputaram a reeleição – 45 deputados e dois senadores, sendo que 39 deputados conseguiram renovar seus respectivos mandatos; 22 são novos. Anselmo de Jesus (PT-RO), Augusto Carvalho (PPS-DF), Chico D’Angelo (PT-RJ), Edmilson Valentim (PCdoB-RJ), Emília Fernandes (PT-RS) e Fernando Lopes (PMDB-RJ) não tiveram sucesso.

Carlos Abicalil (PT-MT) não se elegeu ao Senado; Cláudio Magrão (PPS-SP) não se candidatou; Eduardo Valverde (PT-RO) ficou em terceiro na disputa do governo; José Pimentel (PT-CE) foi eleito senador; Luiz Bassuma (PV-BA) perdeu a disputa ao governo; Paulo Rocha (PT-PA) disputou o Senado, mas está sub judice; Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) foi eleita senadora; Vignatti (PT-SC) não se elegeu ao Senado; Virgílio Guimarães (PT-MG) era suplente de senador, mas o titular foi derrotado; e Walter Pinheiro (PT-BA) foi eleito senador.

O Senado terá seis representantes oriundos do movimento sindical. Desses, quatro são novos: Vanessa Graziottin (PCdoB-AM), Walter Pinheiro (PT-BA), José Pimentel (PT-CE) e Wellington Dias (PT-PI). Paulo Paim (PT-RS) conseguiu a reeleição e Inácio Arruda (PCdoB-CE) tem mandato até 2015. A bancada atual tem sete parlamentares.

Mais informações:
www.diap.org.br

Simulação de aposentadoria pela internet fica mais fácil e segura

O portal da Previdência Social passou a oferecer um novo sistema para facilitar a simulação do cálculo da aposentadoria na internet. O novo programa tem uma apresentação mais didática e clara para a execução deste serviço on line.

Agora, quando o segurado preencher os campos referentes aos dados cadastrais, se o sistema encontrar alguma divergência entre os dados digitados pelo usuário e os dados constantes no Cadastro Nacional de Informações Sociais (Cnis), emitirá na hora um aviso sobre a necessidade de regularizar as informações junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Porém, independentemente desta divergência, o sistema permitirá a conclusão da simulação.

Ao final da digitação dos dados, o sistema apresentará um demonstrativo em formato PDF com todas as informações sobre os períodos de contribuição e o detalhamento do cálculo da aposentadoria.

Atualmente, a simulação de aposentadoria não pode ser feita nas Agências da Previdência Social, estando disponível apenas na internet. O trabalhador deve ter em mãos o Número de Identificação do Trabalhador (NIT), o PIS/Pasep ou o Cici (Cartão de Inscrição de Contribuinte Individual), além das datas de início e fim de cada atividade e/ou contribuição.

Mais informações:
www.previdencia.gov.br

Centrais pedem maior presença de Lula
na campanha Dilma presidente

O programa de TV de Dilma Rousseff, apresentado na noite da quarta-feira (13), foi encerrado com uma vibrante e sincera fala do presidente Lula sobre a candidata que indicou para sucedê-lo. “Eu digo, sem medo de errar, grande parte do sucesso do governo está na capacidade de coordenação da companheira Dilma. Aliás, eu vou dizer: acho que não tem hoje no Brasil ninguém mais preparado do que Dilma”, disse Lula.

A imagem do presidente também foi destaque, acompanhando a candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando no massivo comício em Teresina (PI).
Ao que tudo indica, a coordenação da campanha e a equipe do programa entenderam o recado das bases
de apoio popular da candidatura, em especial dos movimentos sociais, que vinham pedindo maior participação do presidente neste segundo turno.

Centrais - O apelo nesse sentido foi bastante enfático, por exemplo, no encontro das seis Centrais Sindicais, realizado em São Paulo na tarde de quarta-feira (13), para definir diversas formas de participação ativa do movimento sindical na campanha de Dilma. A presença de Lula, segundo dirigentes sindicais, é fundamental pelo seu carisma e identidade com os mais diversos setores populares.

Tal diagnóstico é confirmado, mais uma vez, pela pesquisa Vox Populi divulgada na quarta, que aponta uma avaliação positiva do presidente Lula na marca dos 78%.

Emprego metalúrgico também cresce em Guarulhos

A base metalúrgica de Guarulhos, Arujá, Mairiporã e Santa Isabel conta, hoje, com 55 mil metalúrgicos. Mas na época do governo de Fernando Henrique, com as crises econômicas sucessivas, o quadro era bem diferente. Naquele período, a categoria chegou a cair para 42 mil trabalhadores. De lá para cá, de forma lenta e continuada, o emprego foi crescendo, ano a ano. O aumento do emprego metalúrgico na base de Guarulhos no período foi, portanto, de 30%.

 


Emir Sader dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ

 

Mineiros chilenos, vítimas da flexibilização trabalhista

Por Emir Sader

O presidente chileno Sebastien Piñera quer se fazer de herói do resgate dos mineiros, presos há mais de dois meses numa mina, mas ele é duplamente algoz dos trabalhadores daquele país. Em primeiro lugar, porque seu governo não controla as condições de exploração da força de trabalho, nem sequer do segmento mais importante da economia chilena. As condições subumanas de trabalho dos sofridos trabalhadores mineiros, principais produtores das riquezas fundamentais do país, não encontram nenhum controle dos órgãos do governo, além de que, com a quebra da empresa que os superexplora, nem sequer seus direitos básicos estão garantidos.

Mas de uma outra forma também Piñera é responsável pelas condições de trabalho dos trabalhadores chilenos. Ele é irmão de José Piñera – cujo grupo econômico é proprietário da LAN Chile, que acaba de comprar a TAM – tristemente famoso por ter introduzido a chamada lei de “flexibilização laboral”, com a conhecida cantilena de que, diminuindo os custos de contratação da mão de obra – às custas dos direitos dos trabalhadores – se expandiria o mercado de trabalho e diminuiria o desemprego.

Utilizou a enganosa expressão “flexibilização”, para expropriar direitos trabalhistas, a começar pelo contrato com Carteira de Trabalho, o emprego formal. A maioria dos trabalhadores foram jogados na informalidade. Submetidos a condições ilimitadas de exploração.

Usam duas palavras enganadoras: flexibilidade e informalidade, que seduzem (as preferimos à inflexibilidade e à formalidade), mas neste caso seu verdadeiro conteúdo é: precariedade das condições de trabalho. É trabalhar sem contrato, sem possibilidade de apelar à Justiça, de associar-se, de ter uma identidade social.

Essa política, nascida na ditadura do Pinochet, foi se associando a todos os governos neoliberais na América Latina, fazendo com que a maioria dos trabalhadores do continente passasse a ser submetida à precariedade laboral, a não ter contrato de trabalho.

O governo tucano de FHC-Serra adotou essa política, com os mesmos mecanismos e argumentos do José Piñera e da ditadura pinochetista, causando níveis de exploração da força de trabalho (extração da mais valia), de desemprego aberto e camuflado, de precariedade, jamais vistos no Brasil.

Esses mineiros chilenos foram, eles também vítimas dessas condições de trabalho, a mesma a que passaram a ser submetidos a maioria dos trabalhadores latinoamericanos.

O governo Lula recuperou, regularmente, os contratos de trabalho formal, que aumentaram sempre, ao longo dos dois mandatos presidenciais, depois ter recebido uma herança também socialmente maldita do governo FHC-Serra. Essa é uma diferença essencial entre os dois governos: desamparo dos trabalhadores diante da exploração ou afirmação dos seus direitos formais de trabalho.

Emir Sader dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia

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