Sindicalismo faz ato na Fiesp e
reforça pressão por 40 horas

Foto: Claudio Omena

O movimento sindical intensifica a pressão sobre o segmento patronal em busca da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Para tanto, promove nesta terça-feira (13), às 10h30, na Avenida Paulista, em frente à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), um ato unificado, com todas as Centrais Sindicais e dezenas de Sindicatos, reivindicando redução da jornada.

A pressão, na principal entidade patronal de classe no Brasil, faz parte da ampla ofensiva do sindicalismo pró-40 horas. Mas também visa pressionar o patronato do principal Estado brasileiro a dar uma resposta à pauta que o movimento sindical entregou à Fiesp, dia 12 de março, cobrando a abertura de negociações sobre as 40 horas.

José Pereira dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, e dirigente nacional da Força Sindical, afirma: “A classe patronal brasileira fala muito em primeiro mundo. Portanto, queremos que ela aplique, aqui em nosso País, jornada e salário também de primeiro mundo, e não de terceiro ou quarto”.

“A maior federação patronal do País mantém-se calada e ignora esta justa reivindicação da classe trabalhadora. Se os patrões não negociarem, as greves vão começar”, acrescenta Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

Brasília - As entidades sindicais também intensificam as ações na Câmara dos Deputados para aprovar a PEC 231/95, que diminui a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução de salário. Os sindicalistas pressionam os líderes partidários para colocar a matéria em votação no plenário da Casa.

Mais informações:
www.metalurgico.org.br
E nos sites das Centrais (www.fsindical.org.br, www.cut.org.br, www.ugt.org.br, www.cgtb.org.br, www.portalctb.org.br e www.ncst.org.br)

Centrais Sindicais fecham apoio a Dilma em encontro no ABC

As Centrais CUT, Força Sindical, CTB, CGTB e UGT estiveram sábado (10) com a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência da República. O ato, realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, teve a presença do presidente Lula e do senador Aloizio Mercadante, pré-candidato ao governo de São Paulo.

Dilma agradeceu o apoio e prometeu defender as riquezas nacionais, além de fortalecer a participação dos movimentos sociais. “Não vou permitir que o Estado seja omisso. Quero um País grande e não apequenado por idéias mirradas e projetos entreguistas”, disse. O presidente Lula saudou a manifestação: “Dilma, a classe trabalhadora brasileira acaba de assumir sua candidatura”, afirmou.

“Um dos desafios dos trabalhadores é impedir o retrocesso”, ressaltou o presidente da CUT, Artur Henrique, fazendo uma comparação entre o governo tucano de FHC e o governo Lula. “Serra nunca gostou de trabalhador”, alfinetou Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, lembrando que os servidores públicos, especialmente professores, nunca conseguiram uma negociação com o governo do PSDB.

O encontro no ABC também foi marcado pelo anúncio dos resultados de um estudo sobre mercado de trabalho e qualificação profissional, realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
www.smabc.org.br

Vice dos metalúrgicos de Guarulhos
assume presidência do Dieese

O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, Josinaldo José de Barros (Cabeça), assumiu a presidência do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), na última sexta-feira (9).

Cabeça ocupou o posto ocupado até então pelo vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Tadeu Moraes, que se licenciou do cargo para disputar uma vaga de deputado estadual nas eleições de 2010.

O dirigente metalúrgico de Guarulhos informa que sua gestão terá a marca da continuidade. “O Diesse continuará dando integral suporte às ações e atividades sindicais dos trabalhadores”, disse Josinaldo.

Agenda - O novo presidente do Dieese adianta que entre as prioridades de sua gestão estão o suporte técnico à luta pela redução da jornada para 40 horas e o apoio às campanhas salariais. Josinaldo de Barros completa: “A economia está crescendo e os trabalhadores vão buscar ganhos reais de salários”.

Mais informações:
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Lupi quer liberação de R$ 1 bilhão
do FGTS para vítimas de calamidade

O ministro Carlos Lupi (Trabalho) anunciou, na sexta-feira (9), que enviou proposta ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CCFGTS) para a criação de uma linha de crédito Pró-Moradia Emergencial, voltada ao atendimento de vítimas de situações de emergência ou calamidade.

A ideia é disponibilizar R$ 1 bilhão em recursos do FGTS a governos estaduais e municipais que passam por situações como a que enfrenta o Rio de Janeiro, em decorrência das chuvas que atingem a região metropolitana do Estado. O conselho do FGTS deverá votar a proposta no início da próxima semana.

Saque - O ministro afirmou ainda que o saldo do FGTS poderá ser sacado por vítimas das chuvas no Rio de Janeiro até o teto de R$ 4.650,00. Os saques podem ser realizados nas agências da Caixa.

Mais informações:
www.mte.gov.br

Emprego deve voltar a nível pré-crise no segundo semestre

O bom resultado do emprego na indústria em fevereiro, divulgado na sexta (9) pelo IBGE, deve continuar. A tendência é que o quadro de trabalhadores nas fábricas volte ao nível pré-crise no segundo semestre deste ano, prevê a LCA Consultores. Em fevereiro, pela primeira vez em 15 meses, o emprego industrial cresceu na comparação anual.

 

 

Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da PUC-SP


Disputa eleitoral e
avanço popular

A disputa eleitoral já está nas ruas. Ou melhor, está na mídia. Os jornais, as revistas, a TV, o rádio e a internet já estão noticiando a movimentação dos partidos e dos candidatos. Ao mesmo tempo veiculam também os podres de sempre, as matérias encomendadas, a baixaria, a troca de denúncias sensacionalistas.

Tudo indica que até o primeiro turno das eleições, no dia 3 de outubro, o povo brasileiro será bombardeado por uma guerra suja sem limites éticos e políticos.

O tiroteio generalizado evidentemente encobre o verdadeiro sentido das eleições, que é a escolha consciente de propostas, programas e candidatos que expressem coerentemente as demandas maiores do povo.

No meio da guerra suja, com acusações de todos os lados, fica cada vez mais difícil selecionar partidos e candidatos identificados com os trabalhadores e as causas populares, que mereçam a confiança não apenas no voto, mas principalmente depois de eleitos.

Nessas horas, o melhor mesmo é não se deixar enganar pelo discurso demagógico e nem pela propaganda enganosa, não embarcar no denuncismo rasteiro da grande imprensa, já que a artimanha dos setores conservadores, das elites e da direita em geral, é confundir o eleitorado, é colocar todo mundo no mesmo saco da despolitização, do fisiologismo, da corrupção e dos interesses pessoais.

Os eleitores precisam se livrar dessas armadilhas e escolher candidatos verdadeiramente comprometidos com as transformações sociais.

Mais do que isso, o momento da eleição pode e deve ser aproveitado para que a comunidade, os trabalhadores e o povo, tratem de fortalecer as suas próprias organizações, as associações de moradores, os Sindicatos, os movimentos sociais por moradia, educação, saúde, emprego, melhores condições de vida e de trabalho.

Independentemente da escolha de partidos e candidatos nessa eleição, as organizações populares devem debater a conjuntura política e econômica do País, construir suas próprias pautas de reivindicações, definir seus métodos de luta, ter uma atuação forte e contínua para a obtenção de conquistas duradouras. A visão imediatista de que a eleição resolve tudo, é um grande equívoco.

A eleição deste ano vai escolher presidente da República, senadores, governadores, deputados federais e estaduais. Devemos apoiar e votar somente naqueles candidatos que tenham projetos para o País, que não vão jamais trair o povo, que vão honrar os votos depois de eleitos.

A eleição não é a única forma de o povo trabalhador influenciar na política brasileira. A verdadeira democracia é mais ampla que o sistema representativo, contempla a participação efetiva do povo trabalhador nos destinos do País, nos espaços públicos e privados, nas escolas, nos locais de trabalho e nas instituições em geral.

O Brasil precisa de uma democracia real, ampla, participativa, com igualdade de direitos para todos. Mais importante do que o voto é a capacidade de pressão organizada dos trabalhadores e dos movimentos sociais. Se o povo não defender as suas propostas com total autonomia, dificilmente o que é prometido na campanha eleitoral será cumprido posteriormente.

A força dos trabalhadores depende de sua própria organização permanente, em movimentos sociais, Sindicatos e partidos. A hora é de refletir e de agir. O que devemos fazer para construir no Brasil a democracia que assegure o avanço popular?

Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da PUC-SP