Flexform - Na manhã desta quinta-feira (11), foi firmado o primeiro grande acordo nesse grupo, beneficiando os 505 trabalhadores da Flexform (Cumbica, Guarulhos). Já há negociações com O acordo, aprovado em assembleia, garante: reajuste geral de 9,5%, sem limitação de teto salarial; Piso de R$ 1.021,33, ou seja, 10,5% de aumento; abono salarial de 24% (pago ainda em dezembro) e licença-maternidade de 180 dias. Justiça - José Pereira dos Santos, presidente do Sindicato, diz: “O reajuste salarial do trabalhador não pode ficar esperando decisão judicial. Por isso, o Sindicato busca entendimento direto com empresas. Foi o que ocorreu na Flexform e vai acontecer em outras fábricas do setor”. Depoimentos - Os trabalhadores elogiaram o acordo. Viviam Cardoso da Silva, operadora de máquina, avalia: “É um grande avanço e mostra a importância da atuação do Sindicato”. Sérgio Pereira de Mendonça, técnico em segurança no trabalho, elogia: “O Sindicato faz bem em procurar as empresas do Grupo 10, para fechar acordos individuais”. Mais informações:
Sindicalistas debatem mínimo e aposentadoria
Antes da reunião, Paulinho (PDT-SP) afirmou que a decisão em relação ao mínimo será política e, por isso, as pressões por parte dos sindicalistas e aposentados têm que ser feitas no Congresso. As Centrais Sindicais estão lutando por um salário mínimo de R$ 580, apesar do valor previsto na proposta orçamentária do governo seja de R$ 538,15. Consenso - Marco Maia defendeu o diálogo em busca do consenso para definir o valor para os reajustes. Ele disse ter percebido boa vontade da equipe da presidente eleita, Dilma Rousseff, em manter a política de recuperação do mínimo e das aposentadorias. “Vão ser necessários muito diálogo, reflexão e debate entre governo, parlamentares e entidades sindicais”, avaliou. Emendas - Paulinho já protocolou na Comissão de Orçamento duas emendas: uma cobrando aumento de 9,1% para os aposentados e pensionistas que ganham o Piso nacional e outra pedindo que salário mínimo seja de R$ 580 em 2011. Mais informações:
Paulinho será líder da bancada do PDT O deputado federal Paulo Pereira da Silva (Paulinho) será o novo líder do Partido Democrático Trabalhista na Câmara dos Deputados. O PDT tem 28 deputados federais, 13 recém-eleitos. A liderança do Partido é uma posição estratégica. No caso de Paulinho, essa posição também valoriza um sindicalista dentro de uma agremiação trabalhista. Muitas votações ocorrem por meio das lideranças. Pelo regimento, alguns requerimentos só podem ser feitos pelas lideranças. Vale observar que é nas reuniões das terças, entre os líderes de bancada, que são definidas as matérias que entram na pauta de votação e quais ficam na fila. Contato:
Entidades defendem unidade
na luta A Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap), o Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) e a CSP-Conlutas divulgaram, na sexta-feira (5), mensagem conjunta dirigida aos trabalhadores da ativa e aposentados, firmando posição sobre as negociações com o governo federal acerca do valor do salário mínimo que vai vigorar em janeiro de 2011. O documento tem como base quatro compromissos: a defesa da unidade para impedir uma possível reforma neoliberal da previdência; a derrubada do veto presidencial ao fim do fator previdenciário; defesa de aumento real para o salário mínimo, válido para os trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas; e aprovação da PEC 4434/08, que equipara os benefícios previdenciários aos valores da época de sua concessão. “Apresentamos essas reivindicações como legítimos representantes dos aposentados e pensionistas e das organizações representativas do movimento sindical brasileiro” diz o texto, que faz uma conclamação aos sindicalistas de todas as correntes, no sentido de “fortalecer a unidade da classe trabalhadora, para que possamos conquistar uma verdadeira reposição do poder de compra do salário mínimo, das aposentadorias e pensões”. A mensagem é assinada pelo presidente da Cobap, Warley Martins; o coordenador do FST, José Augusto da Silva Filho; e Atnágoras Lopes, pela CSP-Conlutas. Mais informações:
Metalúrgicos em greve na Neodent fazem protesto em Curitiba
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), o protesto é uma resposta à falta de proposta da empresa sobre as reivindicações dos trabalhadores. Apesar de prever um faturamento de R$ 230 milhões esse ano, a Neodent diz não ter condições financeiras de negociar a pauta de benefícios proposta pelos metalúrgicos. A entidade informa que empresas menores ou do mesmo porte já fecharam bons acordos da data-base de 2010. Pauta - Além do reajuste salarial, os trabalhadores da Neodent reivindicam abono, vale-mercado, Piso salarial, adicional noturno, Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) e redução de jornada de trabalho. Os protestos na porta da fábrica continuam durante as trocas de turno. Mais informações: |
A crise da representatividade sindical Por Eduardo Pragmácio Filho O sindicalismo vive uma crise que se revela também na crise de representatividade. Os sindicatos representam os trabalhadores ou as empresas, sendo a “representação” uma questão legal, enquanto que a “representatividade” é uma questão de legitimidade, ou seja, detém representatividade quem legítima e eficazmente representa um grupo. No plano econômico, com a dispersão das grandes empresas e a multiplicação das micro e pequenas, acabaram ocorrendo transformações no mundo do trabalho, eliminando a concentração de trabalhadores. Além disso, com a flexibilidade no emprego e a introdução de novas práticas de gestão, houve um diálogo direto das empresas com os trabalhadores, sem a mediação de sindicatos, enfraquecendo-os. No plano social, há uma heterogeneidade das camadas assalariadas, pois os típicos trabalhadores operários, industriais e manuais diminuíram de número e outros profissionais, mais qualificados e técnicos, passaram a ocupar seus postos de trabalho. Somando-se a isso, as mulheres ingressaram no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que cresceu o número de trabalhadores na informalidade ou em condições atípicas e precárias de emprego. Já em relação ao plano político-institucional, houve o declínio dos partidos e das ideias socialistas, ao passo que ascenderam ao poder governos mais conservadores. No plano ideológico, ocorreu o avanço de ideias mais individualistas e menos coletivistas e surgiram outros movimentos sociais, como os ecologistas, as feministas, entre outros, com objetivos bem precisos que, de certa forma, disputaram relevância com o movimento sindical. Por fim, no plano sindical, a dificuldade em sindicalizar jovens, mulheres e trabalhadores dispersos nas pequenas e médias empresas, o distanciamento com a base e, sobretudo, a dificuldade de representar os interesses dos assalariados mais qualificados, tudo isso enfraqueceu os sindicatos. Em verdade, todas essas causas estão interligadas, revelando um fenômeno bem amplo e complexo, de dimensão planetária, e colocando em xeque a questão da representatividade dos sindicatos, principalmente pelo lado laboral. Com a fragmentação do trabalho tipicamente fabril, a proliferação dos níveis de negociação coletiva e o surgimento de novos sujeitos que negociam, ocorreu uma crise da representação dos interesses dos trabalhadores e de representatividade. O enfraquecimento da representatividade sindical não é do interesse dos trabalhadores nem das empresas, muito menos do Estado Democrático de Direito, pois a estabilidade da ordem social também depende da capacidade das organizações sindicais de exprimirem a diversidade dos interesses de seus (multifacetados) componentes, contribuindo, assim, para a realização do interesse geral. Está na hora de o movimento se reinventar. Eduardo Pragmácio Filho é mestrando em Direito do Trabalho |
||||
![]() |
|||||