Debate das 40 horas, agora,
é na Câmara de Guarulhos

Avança a ideia de massificar a campanha pela redução constitucional da jornada de 44 para 40 horas. Após a sessão especial na Câmara de Vereadores de São Paulo, terça (8), convocada pelo vereador metalúrgico Cláudio Prado, agora a audiência pública ocorrerá na Câmara Municipal de Guarulhos (população de 1,3 milhão de habitantes), na sexta-feira (11), às 10 horas.

A iniciativa é das seis Centrais Sindicais (CGTB, CTB, UGT, Nova Central, Força e CUT), tendo o apoio da deputada federal Janete Pietá (PT) e de vários vereadores, que subscreveram o pedido de audiência.

Uma das categorias integradas a essa luta é a dos metalúrgicos. José Pereira dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, afirma: “Além dos trabalhadores, queremos incorporar a essa luta amplos setores da sociedade”. E conclui: “a redução da jornada é boa para a classe trabalhadora e para o Brasil”.

Serviço:
Debate sobre a redução da jornada de trabalho
11 de setembro, às 10 horas, na Câmara dos Vereadores de Guarulhos
Endereço: rua João Gonçalves, 598, Centro

Mais informações: Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos (2463.5300), Pereira (9652.1813) ou Josinaldo José de Barros, o Cabeça (7730.5121)
www.metalurgico.org.br

Montadoras e autopeças param
hoje (10) pela manhã, em São Bernardo

Na manhã de hoje (10), os trabalhadores das montadoras Ford, Mercedes-Benz e Ford não trabalharam no turno da manhã. Os metalúrgicos das autopeças Rassini, Mahle e Karmann Ghia, todas de São Bernardo, também cruzaram os braços no mesmo período.

Foto: Roberto Parizotti

Em campanha salarial, com data-base em setembro, eles paralisaram as atividades em protesto contra a intransigência dos empresários das montadoras e do Grupo 3 (autopeças, forjarias e parafusos) da Fiesp que estão oferecendo apenas a reposição das perdas salariais. Os metalúrgicos também querem aumento real.

A assessoria de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC prefere não informar qual é o índice de aumento real reivindicado e que ele será discutido em novas rodadas de negociação com as entidades patronais, que serão realizadas amanhã (11).

A mobilização começou às 7 horas em São Bernardo. Trabalhadores da Rassini se juntaram aos da Ford e seguiram em passeata até a rua 31 de Março, onde se juntaram aos metalúrgicos da Mercedes para uma manifestação. Já os funcionários da Scania e Karman Ghia se concentraram em frente à portarfia da Scania.

“O prazo dos patrões termina no sábado. Se não tivermos uma proposta decente, vamos decidir por novas paralisações”, declarou Wagner Santana, o Wagnão, secretário-geral do Sindicato. Os metalúrgicos realizarão uma assembleia no dia 12, próximo sábado.

Mais informações:
www.smabc.org.br

Emprego industrial aumenta em julho

Mais uma pesquisa aponta o reaquecimento da economia brasileira, após o início da crise econômica mundial no segundo semestre de 2008. O emprego na indústria brasileira cresceu 0,4% em julho, a primeira alta em relação ao mês anterior, depois de nove meses seguidos de queda. Os dados são do IBGE.

“No desempenho mês a mês, observamos que o emprego industrial vem respondendo, com certa defasagem já esperada, à expansão industrial, iniciada em janeiro deste ano”, declara André Macedo, economista do IBGE. Na comparação com julho de 2008, no entanto, o indicador de pessoal ocupado apresenta queda de 7%.

O economista, que é responsável pela área de indústria do IBGE, explica que o balanço do mercado de trabalho em julho é positivo, apesar da queda comparativa ao ano passado. Ele lembra que a base de comparação de 2008 é muito elevada e destaca que o segundo semestre foi inaugurado com um sinal positivo que não se via há muitos meses.

Mais informações:
www.ibge.gov.br

Trabalhadores da Volvo, do Paraná,
cruzam os braços por uma hora, hoje (10)

Os 2.600 trabalhadores da Volvo da Cidade Industrial de Curitiba, Paraná, paralisaram suas atividades hoje (10) entre 8 e 9 horas. Eles têm data-base em 1º de setembro e não aceitaram a proposta oferecida pela empresa de 4,44% de reposição das perdas e R$ 1.500 de abono em setembro. Os metalúrgicos querem, além da reposição da inflação, aumento real de 5,32% e abono de R$ 2.000.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, presidido por Sérgio Butka, tem uma nova rodada de negociações amanhã (11), pela manhã. Uma nova assembleia será realizada na próxima segunda-feira. “Se a empresa não melhorar sua proposta, é bastante provável que a região da Grande Curitiba tenha mais uma greve”, disse Butka.

Greves – Ainda sem receber novas ofertas salariais, continuam em greve os 8.500 trabalhadores das montadoras Renault e Audi. Eles reivindicam 10% de reajuste salarial e abono de R$ 2.000, em setembro. Os trabalhadores da Audi estão parados desde o dia 3 e os Renault desde 4. Assim como os funcionários da Volvo, eles têm assembléia na próxima segunda-feira. 

Juntas, as duas montadoras, instaladas em São José dos Pinhais, Grande Curitiba, já deixaram de produzir 7.040 veículos até a quarta-feira passada. A Audi deixou de fabricar 3.920 automóveis e a Renault, 3.120 carros.

Mais informações:
www.simec.com.br

Brasil avança em competitividade

Os trabalhadores têm mais um argumento para defender a redução da jornada para 40 horas semanais. O Brasil avançou pelo segundo ano consecutivo no ranking das economias mais competitivas do mundo. Mais: o levantamento elaborado pelo Fórum Econômico Mundial apontou que o País subiu oito postos no ranking. Está no 56º lugar. De acordo com o Fórum, a reação do Brasil à crise financeira global foi o principal motivo do avanço.

 



José Walter Bautista Vidal é físico

 

O pré-sal é do povo

Por José Walter Bautista Vidal

Abaixo, reproduzimos trechos de uma entrevista concedida pelo físico José Walter Bautista Vidal à revista CartaCapital (edição nº 562). Vidal foi um dos idealizadores do Próalcool e participou das reuniões definidoras do modelo de exploração do pré-sal. Segundo Vidal, o modelo, considerado excessivamente estatizante, é o correto.

“A descoberta do pré-sal é uma dádiva. É uma riqueza enorme que vai favorecer o povo brasileiro, se forem tomados os devidos cuidados para que realmente isso aconteça”.

“Achei o modelo proposto correto, pois a Constituição diz que as reservas de petróleo são da União, do povo. E a única coisa que realmente representa um povo é a empresa estatal. Por isso, concordo com a criação da Petrosal. A Petrobras foi criada por Getúlio Vargas como uma empresa estatal e o Fernando Henrique Cardoso, em um só dia, vendeu 40% aos americanos.

Hoje, a Petrobras tem 67% das suas ações preferenciais nas mãos de estrangeiros. Não é mais uma empresa estatal. Então, a Petrobras não poderia ficar com tudo, pois aí grande parte da riqueza seria apropriada fora do País. Mas como a empresa tem a melhor tecnologia do mundo em prospecção em grandes profundidades marítimas e foi ela que descobriu esses campos, acho correto contratá-la para fazer o serviço. O modelo anunciado pelo Lula, aliás, me lembra muito as decisões tomadas pelo Getúlio”.

“Lula propôs a criação de uma estatal. E tem todas as condições de se sair vitorioso. Se os princípios da soberania forem respeitados, não há dúvida de que terá sido o melhor caminho. Ao entregar a uma estatal, o governo pode garantir que esta defenda o interesse nacional. Assim você obedece a Constituição, que diz que o petróleo pertence ao povo, e não a fere. Ele repetiu Getúlio, em condições diferentes e melhores. As condições brasileiras hoje são superiores, somos uma nação muito mais importante. Confesso que desconfiava do Lula, mas ele fez o que eu esperava. Gostei”.

“Lula havia cedido em muitas coisas, mas nisto não cedeu, segurou as pontas. Até fui ao lançamento do modelo por reconhecer que ele agiu de forma correta. Caso contrário, não iria. Sempre defendi a tese que ele seguiu. Fui um dos que o ajudaram a tomar essa decisão”.

“Eu me reconheci no projeto. Estou com essa ideia há bastante tempo. Outra saída seria nacionalizar a Petrobras, comprar as ações que estão nas mãos dos estrangeiros vendidas pelo Fernando Henrique, o maior traidor da pátria. Instrumentos existem. Basta o governo querer fazê-lo”.

José Walter Bautista Vidal é físico e foi o responsável pela implantação do Programa Nacional do Álcool (Proalcool).

Artigo publicado na revista Carta Capital, setembro de 2009