Lupi inaugura busto de Vargas e defende aumento real para o mínimo

O Sindicato dos Trabalhadores em Processamento
de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de
São Paulo (Sindpd) realizou, na última quinta-feira
(4), a solenidade de inauguração do busto de Getúlio Vargas na sede da entidade. A estátua é uma homenagem aos 80 anos da Revolução de 30.
O evento teve a presença do ministro Carlos Lupi (Trabalho), dirigentes da CGTB, políticos e empresários.

“Ele foi uma verdadeira revolução para esse País, proclamou a justiça social”, declarou Lupi, ao lembrar a criação por Getúlio Vargas do salário mínimo, da Previdência, do voto universal e da Petrobras. O ministro acrescentou que “coincidências” colocaram no poder duas lideranças – Vargas e Lula – “com o mesmo sentimento de amor ao povo brasileiro”.

O presidente do Sindicato, Antonio Neto, também associou o legado de Vargas ao presidente Lula.
“Há toda semelhança entre os dois. Lula resgatou o getulismo no Brasil”, disse o dirigente sindical, lembrando a valorização do salário mínimo, a geração de empregos, o papel da Petrobras e os programas sociais do atual governo.

Após a homenagem, o ministro comentou que o salário mínimo deverá ser reajustado em 2011 para um valor entre R$ 560 e R$ 570. “Dificilmente ficará menos do que isso”, afirmou. Na semana passada, representantes das Centrais Sindicais pediram ao relator do Orçamento, senador Gim Argello (PTB-DF), que o mínimo seja elevado para R$ 580,00.

Dilma - “Nós vamos ver agora com as contas da Fazenda e da Previdência o limite máximo que podemos dar”, disse Lupi, lembrando que o valor do reajuste depende de estudos técnicos quanto à sua viabilidade. Para o ministro, a presidente eleita tenderá pelo maior valor possível. “Ela (Dilma Rousseff) vai ficar mais próximo daquilo que for o máximo que for possível dar sem comprometer as contas do governo federal”, ressaltou.

Mais informações:
www.sindpd.org.br

Vagas temporárias devem chegar a 139 mil até o Natal

A Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem) prevê a abertura de139 mil vagas de trabalho temporário até a chegada do Natal, o melhor resultado da história, segundo a entidade. Houve um aumento de 11% em relação a 2009, quando foram contratadas 125 mil pessoas.

“Esse aumento ocorre em função do cenário econômico, com a economia aquecida, aumento da renda do trabalhador e oferta de crédito forma-se um circulo virtuoso de consumo e consequentemente geram-se muitos empregos. O aumento da renda do trabalhador expande o consumo e com uma economia aquecida há a necessidade maior de contratar trabalhadores temporários”, disse Vander Morales, presidente da Asserttem.

Segundo a entidade, o comércio deverá ser responsável por 70% das vagas. Os maiores empregadores nesse período são as lojas de rua, supermercados e shoppings. As mulheres ocuparão 45% das oportunidades. As principais funções no setor são: analista de crédito, atendimento, crediário, promotor de vendas, vendedor e papai Noel. E a remuneração média ficará entre R$ 650 e R$ 890.

Jovens - A previsão para a indústria é de ocupar 30% das vagas, com 70% delas preenchidas por homens. Algumas das principais funções são operador de máquinas, técnico em manutenção industrial e operador de empilhadeira. O setor paga em média de R$ 800 a R$ 1.100,00. Cerca de 30% das 139 mil vagas serão preenchidas por jovens em situação de primeiro emprego.

Fonte: blog do Trabalho
blog.mte.gov.br

Ministério do Trabalho comprova
irregularidades na SBB em Guarulhos

O Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região recebeu, na quinta-feira (4), um relatório parcial da Gerência Regional do Trabalho e Emprego sobre vistoria realizada na empresa SBB - Sociedade Brasileira de Blindagens (Jardim Cumbica), onde os trabalhadores ficaram 15 dias parados em protesto contra as péssimas condições de trabalho. A vistoria comprovou as irregularidades denunciadas pela entidade.

O advogado do Sindicato, Igor Boni Freire, explica que o relatório comprova irregularidades como
a inexistência da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), problemas nos banheiros, funcionários sem registro em Carteira e contratações fraudulentas de terceirizados.

Os cerca de 50 empregados voltaram ao trabalho na sexta-feira (5), por orientação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região (São Paulo). A desembargadora Sonia Maria de Oliveira Prince R. Franzini, vice-presidente judicial do TRT, também determinou que a empresa não desconte os dias parados nos salários dos trabalhadores.

Audiência - “Foi confirmada uma última reunião de conciliação para dia 11 de novembro, às
13 horas, novamente no TRT. Caso a SBB insista em não apresentar solução para as várias irregularidades encontradas na empresa, a desembargadora informou que vai proferir a sentença
em, no máximo, 10 dias”, diz o advogado.

Mais informações:
www.metalurgico.org.br

Químicos do ABC aprovam reajuste de 8% nos salários

Os trabalhadores do setor químico do Grande ABC aprovaram, na sexta-feira (5), a proposta patronal de reajuste salarial de 8%.
O reajuste equivale a aumento real de 2,82%, considerando o
INPC acumulado de 5,04% até a data-base, em 1º de novembro.
A assembleia também definiu reajustes no Piso salarial e na Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR).

Segundo o Sindicato dos Químicos do ABC, os valores garantem
os maiores aumentos reais na história dos trabalhadores químicos
da região, permitindo que a categoria acumule um ganho real nos salários de 15,5% no período entre 2000 e 2010.

Reajustes - 8% no salário até o teto de R$ 6.276,71. Acima desse valor, fixo de R$ 502,14;
reajuste de 9,2% no Piso salarial, passando de R$ 815,00 para R$ 890,00 (o que equivale a 3,96% de aumento real); reajuste de 10% no valor mínimo da PLR, passando de R$ 600,00 para R$ 660,00 (4,72% de aumento real).  

Mais informações:
www.quimicosabc.org.br

Faturamento da indústria cresce 11,3% no acumulado do ano

O faturamento real da indústria acumula alta de 11,3% de janeiro a setembro deste ano, em
relação ao mesmo período de 2009. Em relação a setembro de 2008, período anterior à crise, quando foi registrado o recorde histórico, o faturamento industrial avançou 3,5%. Segundo a CNI, houve crescimento de 5,3% no número de vagas de trabalho, na comparação do acumulado de 2010 com o ano passado.


Márcia Denser é pesquisadora de literatura, jornalista curadora de Literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo


A nova história

Por Márcia Denser

Para quem se lembra daquela frase “O Brasil não tem história, só geografia”, comenta-se que agora temos uma “nova geografia”, redesenhada a partir do mapa das eleições deste segundo turno. A sacada é do Paulo Henrique Amorim, diz ele que a “Secretaria de Educação – que paga o salário PSDB, o Pior Salário Do Brasil – do José Serra produziu um livro de Geografia com dois Paraguais. Agora, a Geografia do PIG redesenhou as regiões do Brasil para justificar o racismo. Quem vota na Dilma é pobre, nordestino, semi-analfabeto.”

Para a nova geografia política da elite paulistana, o Rio e Minas caíram para a segunda divisão: agora situam-se geograficamente na região Nordeste. O País fica assim dividido por região, ou seja, segundo
o preconceito racial, além
de monetário e social. É assim que os frequentadores do restaurante Fasano dividem o Brasil. Naturalmente, a questão é desqualificar a vitória de Dilma.

Mas a coisa vai mais longe, para além dos óbvios empates técnicos constatados onde pretensamente Zé Pedágio teria vencido (50% a 49% no Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Sul, 51% a 48% no Mato Grosso),
sem contar votações expressivas em Sampa (54% a 45%), Paraná (55% a 44%) e Santa Catarina (56% a 43%), existe um fato: a opinião pública no sul e sudeste agora – felizmente - está dividida!

E isto significa que emergiu no interior da própria classe média uma nova consciência política que começa a deslocar a inconsciência despolitizada, consolidada na alienação enganchada na rabeira dos velhíssimos chavões da mídia hegemônica, dos preconceitos dessa mídia não questionadora da realidade - uma vez que realidade é só aquilo que ela edita - mídia, cujas afirmações e acusações feitas num dia, são alteradas ou esquecidas
ou negadas no outro, dessa mídia que, em nome da vantagem imediata, dá as costas à História.

E tais classes desinformadas, inconsistentes e sem projeto são facilmente vencidas, uma vez que nada têm por que lutar, nada têm a almejar: é a reedição piorada da não menos arcaica “maioria silenciosa” emparedada
em shoppings, filmes dublados, entrincheirada atrás de muros e guaritas, acovardada, imbecilizada – mórbida. Sitiada no interior da própria hipocrisia.

É pouco. Não deu. Realmente, nem Serra, nem Aécio, nem pós e neo-tucanos poderiam contar com tal base eleitoral, neo-nazistas à parte, que estes são o que são, aberrações, minorias.

É verdade que há bem pouco tempo o Brasil voltou a ter orgulho de si,o projeto vitorioso, sobretudo do segundo governo Lula, é recentíssimo, ainda não penetrou em todos os corações e mentes. E é
a este projeto que a nova consciência dum Brasil mais politizado começa
a responder, atender, em resposta a uma falsa
(e velhíssima) geografia alienada, entreguista, separatista.

Porque o Brasil voltou a ter História.

Márcia Denser é pesquisadora de literatura, jornalista e curadora de Literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo