Acordo adia definição do
novo salário mínimo

Foto: Waldemir Rodrigues


As Centrais Sindicais conseguiram uma conquista importante, na quarta-feira (7), que pode significar um avanço na definição do salário mínimo que vai vigorar no próximo ano. Um acordo fechado no Congresso Nacional, que deixou em aberto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) o valor a ser fixado em janeiro de 2011, abre a possibilidade do sindicalismo conseguir elevar o mínimo dos atuais R$ 510 para R$ 570.

O relator da LDO para 2011, senador Tião Viana (PT-AC), estava propondo um mínimo próximo a R$ 550, com reajuste real de 2,5% (variação média do PIB em 2008 e 2009). Na proposta original enviada pelo governo, o mínimo não deveria receber reajuste real no próximo ano, ficando em R$ 535, de acordo com a regra seguida nos últimos anos de vincular o aumento à variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

Mas, diante da pressão exercida pelas Centrais, o relator preferiu deixar o texto-base do projeto da LDO - que foi aprovado na quarta pela Comissão Mista de Orçamento - em aberto, no que diz respeito à definição do salário mínimo.

“Estamos convencidos que há espaço para um reajuste maior, porque o País deverá ter um crescimento econômico expressivo este ano. O Piso nacional hoje é de R$ 510,00, o senador propôs R$ 547,95 e o movimento sindical reivindica R$ 570,00, o que corresponde a um aumento de 11,76%”, explica o presidente em exercício da Força Sindical, Miguel Torres.

Pressão - As Centrais Sindicais deixaram claro durante as negociações que vão se juntar e pressionar para que o salário mínimo seja corrigido com base no crescimento de 2010, chegando aos R$ 570, para dar continuidade à política de valorização do mínimo.

“Com a nossa proposta o aumento real será de 6,7% para o Piso nacional. Mas a briga promete ser muito difícil e para passar a nossa proposta será preciso muita pressão, porque é quase certo que os parlamentares dos partidos oposicionistas vão tentar derrubá-la. Um salário digno é uma forma de distribuir renda”, ressalta Miguel.

Mais informações:
www.camara.gov.br

Permanência do Dieese no Parque da Água
Branca é negociada com Goldman

Aconteceu no final da tarde de quarta-feira (8), no Palácio dos Bandeirantes, reunião entre o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) e o governo do Estado, a fim de tratar da permanência ou não da entidade no Parque da Água Branca, em São Paulo, onde se encontra instalada há mais de 24 anos.

O encontro teve presença de sindicalistas da CUT, Força, CGTB, Nova Central e CTB. A delegação, tratou diretamente com o próprio governador Alberto Goldman (PSDB).

Segundo o presidente atual do Dieese, o metalúrgico Josinaldo José de Barros, ficou implícito na conversa que o Dieese permanece no Parque ou o governo paulista oferece um local adequado para a instituição, que tem 80 funcionários, além de vasto equipamento de trabalho, como computadores. O sindicalista informa que na próxima semana haverá novo encontro entre Dieese, sindicalistas e Goldman.

Mais informações:
Josinaldo (11) 2463.5300 ou 7730.5121

Senado aprova licença-maternidade de seis meses

O Senado aprovou, na quarta-feira (7), a proposta de emenda à Constituição (PEC) que amplia de quatro para seis meses o prazo de licença-maternidade. A proposta obteve 54 votos favoráveis e nenhum contrário e segue para análise da Câmara dos Deputados.

O projeto de autoria da senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) modifica a Constituição e torna obrigatória a licença de 180 dias para empresas públicas e privadas. Na prática, ele amplia o alcance da Lei número 11.770 de 2008, da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), que faculta às empresas a concessão da licença de seis meses em troca de dedução das despesas extras do Imposto de Renda.

Benefícios - Rosalba Ciarlini, que era médica pediatra antes de ingressar na política, acredita que a ampliação do prazo não enfrentará resistência por parte das empresas. Ela explica que as experiências recentes mostram que a mãe que passa mais tempo com o filho retorna mais produtiva ao trabalho e que o ciclo de seis meses de amamentação garante mais saúde ao recém-nascido e, com isso, reduz as faltas da mãe ao trabalho.

Mais informações:
www.senado.gov.br

Metalúrgico de Guarulhos editam boletim eletrônico

A primeira edição do “Expresso Metalúrgico”, boletim eletrônico do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, começou a ser distribuída nesta quinta-feira (8). A manchete trata do crescimento da economia, chamando os trabalhadores a buscarem melhorias empresa por empresa.

O envio será, prioritariamente, para associados do Sindicato. Mas, numa segunda fase, será expedido também para entidades sindicais, imprensa e autoridades.

Heleno B. da Silva, secretário-geral da entidade, explica: “O boletim eletrônico permite a ampliação do leque de temas abordados. Questões como política, meio ambiente e cidadania serão frequentes no material”.

Mais informações:
Com Heleno – (11) 2463.5341

Consumo de máquinas aumenta 30% este ano

As empresas brasileiras estão investindo com força na modernização e ampliação da capacidade produtiva e o consumo interno de bens de capital cresceu 30,1% de janeiro a maio deste ano, em relação ao mesmo período de 2009. As maiores taxas aparecem no fornecimento de máquinas para o setor de construção civil, com alta de 156% nos primeiros cinco meses do ano, e para o de infraestrutura, com aumento de 46,9%.

 


Claudio Salvadori Dedecca é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp



Geração de novos empregos e agenda futura

Por Claudio Salvadori Dedecca

O mercado de trabalho
se assemelha a uma escala de cores, tendo
as situações de desemprego aberto e
de emprego formal como polos.

Ambas se apresentam como termômetros valiosos do comportamento de curto prazo do mercado de trabalho e da atividade econômica.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados cumprem com competência uma das funções.

Uma vez mais seus resultados revelam a capacidade atual da economia brasileira em dinamizar o mercado
formal de trabalho.

Quase 300 mil postos foram criados em maio, movimento que se espraia nas diversas regiões geográficas do País e na estrutura produtiva como um todo.

Tendo alcançado 1,2 milhão de postos nos cinco primeiros meses, é cada vez mais provável que 2,5 milhões de novos postos sejam criados em 2010.

O Brasil conseguiu com êxito enfrentar a crise, com um desempenho inédito no período republicano.

Alguns elementos estruturais contribuíram para o bom resultado, como a estabilidade de preços, o baixo endividamento externo
com reserva adequada de divisas e associado à capacidade de exportação, a gestão do endividamento interno com controle das contas públicas apesar da taxa de juros estratosférica e a quase total autonomia energética.

Ademais, as políticas de fortalecimento da base produtiva e do mercado interno foram decisivas para tal desempenho, devendo receber menção aquelas de financiamento do investimento privado, de ampliação da infraestrutura, de difusão do crédito produtivo e ao consumo, de salário mínimo e de transferência de renda.

Apesar dos resultados, não se deve tomar como eterna a capacidade de esses instrumentos dinamizarem o mercado formal de trabalho.

É fundamental que o País elabore políticas de longo prazo visando fortalecer a relação entre a atividade econômica e geração de emprego, como ações
para a qualificação da
mão de obra e a associação do padrão de investimento à geração de empregos, visando o aumento da produtividade.

As agendas das candidatas e do candidato à presidência são uma boa oportunidade para começar a enfrentar tal desafio.

Claudio Salvadori Dedecca é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, com especialidade em trabalho e políticas sociais