Intransigência patronal arrasta
greve dos bancários ao 9º dia

Euclides Oltramari Jr./AE


A greve nacional dos bancários atingiu, na quarta-feira (6), a maior adesão desde o início do movimento. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), já são 7.723 agências paradas nos 26 Estados e Distrito Federal – o que significa que já é a maior greve da categoria nas últimas duas décadas.

Um balanço do Sindicato dos Bancários de São Paulo indica que 717 agências e 13 centros administrativos estão fechados na região, envolvendo 32,5 mil trabalhadores. “A greve continua até que os bancos retomem as negociações com uma proposta à altura das reivindicações dos trabalhadores”, afirma a presidente do Sindicato, Juvandia Moreira.

A sindicalista destaca que as cinco maiores instituições financeiras do Brasil são também as cinco maiores empresas da América Latina em ativos e lideram uma lista com 250 companhias. “É mais uma mostra de que os bancos podem atender as reivindicações”, frisa. Apesar de o comando nacional ter enviado segunda (4) uma carta à federação patronal (Fenaban) reiterando a disposição de negociar, os banqueiros até o momento não se manifestaram.

“O aumento da paralisação mostra a indignação dos bancários com o desrespeito dos bancos. Mesmo com o lucro de mais de R$ 25 bilhões somente no primeiro semestre, só ofereceram a reposição da inflação de 4,29% e rejeitaram todas as outras reivindicações dos trabalhadores”, denuncia o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

Pauta – A categoria reivindica 11% de reajuste, valorização dos Pisos salariais, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), medidas de proteção da saúde – combate ao assédio moral e às metas abusivas, mais contratações, previdência complementar para todos, fim da precarização via correspondentes bancários e mais segurança.

Mais informações:
www.spbancarios.com.br

Pequena indústria receberá R$ 48 milhões para inovação

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) destinarão R$ 48,7 milhões em recursos para promover inovações em micro e pequenas indústrias nos próximos anos.

“Os recursos da CNI e do Sebrae vão servir para formar indutores e promotores de projetos de inovação tecnológica, mas também para formar 18 mil empresas, capacitar 9 mil empresários e, no mínimo, executar 3 mil projetos de inovação tecnológica”, informa o presidente em exercício da CNI, Robson Braga, que assinou convênio com o diretor-presidente do Sebrae, Paulo Okamotto.

O acordo entre CNI e Sebrae prevê ações que vão de eventos de sensibilização e motivação, cursos de capacitação em gestão, planos de inovação, suporte à adoção da estratégia, consultorias para elaboração de projetos à análise de órgãos de fomento, avaliação e monitoramento de resultados.

Fonte:
www.fem.org.br

Captação da poupança cresce em setembro e bate recorde no ano

A caderneta de poupança registrou em setembro uma captação líquida de R$ 4,8 bilhões, aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano passado e recorde para o mês desde o início da série histórica em 1995. É também o segundo melhor resultado do ano, atrás apenas dos R$ 6,8 bilhões captados em julho.

No acumulado de janeiro a setembro, a captação foi de R$ 25,7 bilhões, valor que supera o recorde de R$ 19,7 bilhões registrado nesse mesmo período em 2007. Com isso, o saldo total de depósitos na poupança alcançou a marca inédita de R$ 360 bilhões no mês passado. No final de 2009, estava em R$ 319 bilhões.

Segundo a Caixa Econômica Federal, que tem quase um terço dos depósitos, o bom desempenho da poupança se deve ao aumento na renda dos brasileiros, principalmente nas classes emergentes. A instituição captou em setembro R$ 1,9 bilhão. Neste ano, foram R$ 9,1 bilhões.
 
Mais informações:
www.bcb.gov.br

Coalizão de Dilma consegue maioria para mudar Constituição

Os partidos que formam a coligação Para o Brasil Seguir Mudando, que tem a ex-ministra Dilma Rousseff como candidata à presidência, elegeram, em conjunto, um total de 311 deputados – três a mais que a maioria qualificada exigida para a aprovação de emendas à Constituição.

O PT elegeu 88 deputados; o PMDB, 79; o PR conseguiu, 41; PSB, 34; PDT, 28; PSC, 17; PCdoB, 15; PRB, 8; e PTC, 1. Total de 311. Outros oito partidos permaneceram independentes na disputa presidencial, mas tendem a adotar uma postura de reforço à bancada governista: o PP elegeu 41; o PTB, 21; o PTdoB, 3. PHS, PRP e PRTB elegeram cada qual 2 deputados, e PTC e PSL, 1.

Isso significa que, sendo eleita no segundo turno Dilma vai contar com maioria parlamentar folgada, suficiente para encaminhar propostas e aprovar os projetos sem problemas com as eventuais táticas de obstrução da oposição.

Oposição - Já os partidos coligados com o candidato José Serra elegeram 112 deputados – 53 do PSDB, 43 do DEM, 12 do PPS e 4 do PMN. O PV da candidata Marina Silva elegeu 15, e o Psol do candidato Plínio de Arruda Sampaio manteve uma bancada de três deputados.

Fonte: Agência Câmara
www.camara.gov.br

Petrobras inaugura plataforma P-57

A Petrobras inaugura nesta quarta (7) o navio-plataforma
P-57, que tem capacidade de produção de 180 mil barris de óleo e de comprimir 2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. A plataforma, que será instalada no Campo de Jubarte (ES), teve investimento de US$ 1,2 bilhão, gerando milhares de empregos. A P-57 terá seu auge de produção até o início de 2012.

 


João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical


Dois fatos

Por João Guilherme Vargas Netto

Sou dos muitos que acreditaram que a eleição presidencial se resolveria em primeiro turno, como aconteceu com a esmagadora maioria das eleições para governadores (somente 14% do eleitorado ainda tem que ir às urnas para escolher o governador em oito Estados e no Distrito Federal).

Dilma teve uma grande vitória, com expressiva diferença em relação a Serra, mas precisa confirmá-la no segundo turno ampliando sua votação.

Dois fatos merecem ser destacados e de sua compreensão decorrem muitas conclusões.

O primeiro deles é a dificuldade de conversão do prestígio do presidente Lula em votos para a sua candidata.

Façamos a conta: Lula tem 86% de aprovação; descontados os abstencionistas este número cai para 70% dos quais Lula converteu menos que 70%. Portanto, dos que o aprovam, a metade não sufragrou Dilma (contando os abstencionistas, os que votaram nulo, em branco e em outros candidatos).

Será preciso explicar ainda mais e melhor o sentido da continuidade para os que não o entenderam e para os que querem continuidade com alguma mudança. O papel de Lula é decisivo.

O segundo é a votação de Marina. O “marinado” é uma pizza de muitos sabores onde as fatias “verde” e “fundamentalista” são as menores. Há um enorme conjunto de motivações para o voto em Marina que precisa ser entendido (uma coisa é certa, o mapa de vitórias do Serra é o mapa do agronegócio, o que dificulta o casamento entre serristas e marinistas).

Mais uma vez torna-se imperioso explicar a continuidade, compreender as mudanças e descalçar o salto alto.

É necessário reagrupar forças políticas e sindicais para confirmar a vitória de Dilma no dia 31 de outubro.

O movimento sindical deve reafirmar seu apoio à continuidade do crescimento com distribuição de renda, afiançar as reivindicações da Conclat e desmascarar a demagogia de Serra garantindo desde já, com Lula, um forte aumento do salário mínimo e das aposentadorias que devem vigorar desde 1º de janeiro de 2011.

João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores

s