A movimentação de trabalhadores e sindicalistas em Brasília começa já a partir de segunda-feira (9), com um acampamento que será montado pela CUT. O local vai centralizar panfletagens, bandeiraços e será responsável por uma vigília no Congresso Nacional. “Estamos organizando 500 companheiros com uma grande delegação dos metalúrgicos do Rio Grande do Sul, além da alimentação e outras categorias”, informa o secretário geral da Central, Quintino Severo. Um dos objetivos da Marcha é pressionar a Câmara dos Deputados a colocar na pauta do plenário a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 231/95) que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais e eleva de 50% para 75% o valor da hora extra. A emenda tramita há 14 anos e foi aprovada em junho em uma comissão especial da Casa. Benefícios - Segundo avaliação do Dieese, a combinação das duas medidas será capaz de gerar cerca de dois milhões de empregos formais em todo o País. Além disso, proporcionará ao trabalhador tempo para o convívio familiar, para a qualificação e lazer. A 6ª Marcha da Classe Trabalhadora também vai pedir a aprovação da política de valorização do salário mínimo, negociada pelas Centrais com o governo e da emenda contra o trabalho escravo; a ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT (negociação coletiva no serviço público e fim da demissão imotivada, respectivamente); e a retirada dos projetos sobre a terceirização, que precarizam as relações de trabalho. Mais informações:
Metalúrgicos aprovam reajuste de 6,54%
A proposta aprovada estabelece 6,54% de aumento salarial, mais 25,6% de abono e o pagamento pela empresa dos dias parados. Terminou também nesta sexta a greve dos 80 empregados da Fundesp, empresa de fundição, na Zona Oeste. Os trabalhadores aprovaram a proposta que estabelece reajuste salarial de 8%, mais 24% de abono para quem ganha o Piso. Quem ganha acima do Piso terá reajuste de 7% mais 21% de abono. As horas paradas não serão descontadas. Campanha salarial - O Sindicato já fechou 210 acordos salariais, envolvendo 33 mil trabalhadores com reajustes entre 7% e 8%, mais abonos de 21% a 24%. Mais informações:
Metalúrgicos de Ipatinga iniciam campanha salarial O Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa) iniciou as negociações da campanha salarial da categoria em uma reunião com representantes da Usiminas Mecânicas, nesta sexta-feira (6), que começou às 8 horas. O encontro aconteceu na sede do Sindicato. Os principais itens da pauta de reivindicações deste ano são jornada de 40 horas semanais, reajuste de 12%, abono salarial de R$ 3.300, garantia de emprego, reembolso das despesas médicas, eliminação da marcação de ponto, entre outros. Produção em alta - Segundo o presidente do Sindipa, Luiz Carlos Miranda, a entidade espera que as empresas apresentem propostas coerentes e que correspondam às expectativas dos trabalhadores. “A Usiminas está com capacidade de produção em mais de 90%, os lucros de todo este aço tem que ser repartido com os trabalhadores”, afirma. Mais informações:
Sindicalistas partem de Guarulhos para Uma caravana organizada pela Força Sindical Regional partirá de Guarulhos, na Grande São Paulo, no dia 10 de novembro, às 15 horas, levando 44 pessoas que representarão os trabalhadores na base forcista da cidade na 6ª Marcha da Classe Trabalhadora, que as Centrais Sindicais vão promover em Brasília na próxima quarta-feira (11). A delegação de dirigentes sindicais, trabalhadores e aposentados, tem representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região, que levará 16 pessoas; Sindicato da Alimentação, com cinco pessoas; Comerciários, quatro pessoas; Vigilantes, três pessoas; Sindicato dos servidores do município, com três pessoas; e da Associação dos Metalúrgicos Aposentados de Guarulhos (Atmag), que levará à Marcha uma delegação de dez pessoas. Redução já - O vice-presidente do Sindicato dos metalúrgicos, Josinaldo José de Barros, é um dos coordenadores da caravana. Ele comenta: “Guarulhos não poderia ficar fora deste grande momento. A redução da jornada para 40 horas semanais é uma luta de toda a classe trabalhadora e vamos a Brasília pressionar os deputados a aprovarem a emenda constitucional”. O ônibus fretado sairá de Guarulhos às 15 horas, partindo da sede do Sindicato dos metalúrgicos, à rua Harry Simonsen, 202, Centro.
USP põe farda nazista em Getúlio
Estudantes ribeirinhos terão lanchas para ir à escola O Ministério da Educação começa a fornecer lanchas para o transporte de estudantes da educação básica nas regiões ribeirinhas a partir do ano que vem. Um acordo com a Marinha prevê a fabricação de 600 lanchas escolares, das quais 180 serão entregues em 2010. O investimento é de R$ 134,5 milhões e as embarcações irão para municípios da região Norte, onde 40% dos alunos usam barcos ou canoas para ir à escola. |
Por uma CPI do Em seu “O Livro dos Abraços”, Eduardo Galeano nos conta de uma tribo indígena que decepava a cabeça de seus adversários e as deixava minguar até caber na palma da mão. Para impedir qualquer surpresa desagradável, ainda costuravam sua boca. Guardadas as proporções de sentido, é exatamente esta a direção do empenho dos barões da mídia quando inundam a programação das “suas” emissoras de rádio e televisão com desinformação e alienação. Entre outros lixos tóxicos, despejam cotidianamente em milhões de lares doses de apatia e criminalização dos movimentos sociais, a quem tentam macular com os antivalores do oportunismo, da covardia e da violência. Com a surrada fórmula da repetição, já que instrumentalizam os meios de comunicação para contaminar e degradar o ambiente das relações pessoais, buscam apequenar cérebros, silenciar falas, deturpar conceitos... Felizmente, há lições que ficaram, aprendidas pelos anos de engano e manipulação, de edição de debates televisivos, de programas editorializados que interpretavam a realidade ao bel prazer do anunciante. Bem menos dócil e muito menos conformada, a população vem fazendo a sua própria leitura, ampliando a independência, cortando os fios que a buscavam conduzir mais para ser menos. Compreendendo a comunicação social como direito humano, e comprometida com a sua democratização, a CUT propôs, com o respaldo das demais Centrais Sindicais, um projeto que dá vida à determinação constitucional do direito de antena, garantindo a abertura de um espaço que é público – mas erroneamente aproveitado de forma privada – a estas entidades. Uma vez aprovado o projeto, encaminhado pelo deputado Vicentinho, teremos o espaço sindical gratuito no rádio e na televisão, nos mesmos moldes do horário eleitoral, conforme a representatividade de cada Central. Assim que manifestamos a decisão, a reação fez-se ouvir por editoriais e matérias consagradas a denunciar o desplante da “República Sindical”, havendo filas de colunistas, prenhes de mentiras e calúnias, repetindo o jargão de seus patrões. O que está por trás da CPI do MST senão a produção de desmemória coletiva? Ou a repetição de uma tomada aérea de pés de laranja arrancados é mais notícia do que a invasão de terras públicas pela Cutrale? E o que dizer dos milhões de litros de pesticidas lançados sobre o campo pelo agronegócio, concentrador de renda, que polui, desemprega e mata? Por que a campanha pela redução da jornada para 40 horas semanais não aparece no noticiário, nem os milhares de mutilados e lesionados pela intensidade do ritmo de trabalho, pela precarização? Por que não há reportagens sobre os que enriqueceram com as privatizações/ desnacionalizações durante o desgoverno FHC? Por que a cratera do metrô, que matou em São Paulo, não ganha destaque, assim como os pedágios mais caros do Brasil, que ficam no mesmo Estado, e os piores salários de policiais e professores? Para que serve a propaganda da Sabesp no Nordeste? Afinal, quantas vezes você leu, viu ou ouviu que o relatório da Polícia Federal sustenta que “uma das atividades em que atua a organização criminosa, liderada por Daniel Dantas, é na compra e venda de fazendas, gado e outros negócios agropecuários”? Por que os que se dizem defensores da liberdade de imprensa e do debate se retiraram da Conferência Nacional de Comunicação e não querem debater a comunicação como política pública com participação social? Será por que é necessária uma CPI do latifúndio midiático? Rosane Bertotti é secretária Nacional de Comunicação da CUT e membro da Comissão Organizadora da Confecom |
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