Câmara vai promover comissão geral
sobre redução da jornada

A Câmara dos Deputados vai promover uma comissão geral, dia 18 de agosto, para discutir a proposta de emenda constitucional (PEC 231/95), que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário. O debate foi acertado, nesta quinta-feira (6), durante reunião do presidente da Casa, Michel Temer, com representantes das Centrais Força Sindical, CUT, NCST, CTB, CGTB e UGT.

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (Paulinho), disse que o objetivo da reunião foi discutir um calendário para votação da proposta pelo plenário. A intenção dos sindicalistas é viabilizar a votação da PEC na primeira ou na segunda semana de setembro.

Paulinho disse que 90% dos líderes partidários já se comprometeram com a inclusão da matéria na pauta. Ele acredita que o calendário eleitoral pode ajudar na aprovação da matéria. “No ano que vem há eleição, e os deputados precisarão do apoio dos trabalhadores”, disse.

Jornada de lutas - O deputado informou que as Centrais vão iniciar nos próximos dias uma série de ações em defesa da aprovação da proposta, como a Jornada Nacional Unificada de Lutas, no dia 14 de agosto, quando as entidades vão promover manifestações em todo o País. As ações ainda incluirão reuniões com líderes para negociar apoio das bancadas para a inclusão da matéria na pauta do plenário.

Mais informações:
www.camara.gov.br

OIT e CUT firmam parceria no Concut
para combater trabalho infantil

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a CUT deram início, na quarta-feira (5), a uma campanha conjunta para a erradicação do trabalho infantil. A campanha foi lançada pela OIT no dia 12 de junho, mas a parceria com a CUT foi firmada durante o 10º Concut.

A idéia é que a Central e outras entidades dos movimentos sociais participem das conferências nacionais de educação, assistência social e criança e adolescente, que acontecem até o final de 2010. Além de cartazes informativos, a programação inclui spots de TV, veiculados em breve e uma ação conjunta das entidades.

Segundo o Coordenador do Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil da OIT no Brasil, Renato Mendes, a participação do movimento sindical é fundamental no combate à exploração infantil. A Central buscará incluir a proibição do uso dessa mão-de-obra nos acordos coletivos e cobrar educação de qualidade.

Evolução - “As ações pelo fim do trabalho infantil avançaram muito no Brasil nos últimos anos, mas atingiram um patamar de estagnação, principalmente porque esse tipo de mão-de-obra se encontra em núcleos invisíveis e informais”, explica Mendes.

Mais informações:
www.cut.org.br

Rais mostra crescimento de vagas
formais no Brasil em 2008

Foto: Renato Alves

O Brasil alcançou a marca de 39,442 milhões de empregos formais em 2008, entre celetistas e estatutários, aumento de 1,834 milhões (4,88%) em relação a 2007, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais 2008).

O crescimento do emprego também contribuiu para o ganho real de 3,52% do rendimento médio dos trabalhadores formais, passando de R$ 1.443,77 em dezembro de 2007 para R$ 1.494,66 em dezembro de 2008.

“Em 2009 chegaremos à marca de 40 milhões de empregos formais no Brasil. Só no governo Lula foram gerados 10,7 milhões de empregos formais. Tivemos o quarto melhor resultado em 20 anos”, comentou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Rais – A relação também é o instrumento utilizado pelo governo para identificar os trabalhadores com direito ao recebimento do abono salarial, que no ano passado beneficiou 16,903 milhões.

Mais informações:
www.mte.gov.br

Sindicalistas protestam contra repressão
na Ssangyong Motors da Coreia

Foto: Ricardo Flaitt
Cerca de 100 dirigentes sindicais ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM-Força Sindical) e Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT) realizaram, na quarta-feira (5), ato em protesto contra as ações abusivas cometidas pela polícia e pelo governo da Coreia do Sul contra os trabalhadores da montadora de automóveis Ssangyoung Motor.

A manifestação ocorreu em frente à concessionária da marca coreana em São Paulo. Em greve há mais de dois meses, os operários da montadora estão sofrendo terríveis abusos. A empresa jogou produtos químicos corrosivos por meio de helicópeteros sobre os grevistas e utilizou armas de eletrochoque contra os manifestantes.

Abuso - Para Edison Venâncio, secretário-geral da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo e de relações internacionais da CNTM-Força, “o que a Ssangyoung está fazendo com os trabalhadores coreanos é um atentado mundial contra os direitos”.

“Todos os dias os trabalhadores coreanos estão sofrendo por defender seus postos de trabalho. Isso é uma afronta aos direitos humanos e ao direito de organização sindical”, ressaltou Valter Sanches, secretário-geral da CNM/CUT.

Fonte:
www.fedmetalsp.org.br

Portal Vermelho promove debate sobre o PIG

O portal Vermelho promoverá, na próxima sexta-feira (7), às 19 horas, o debate “Como enfrentar o PIG - o Partido da Imprensa Golpista?”, com os jornalistas Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, e Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O evento será na rua Rego Freitas, 192.

Na sequência, haverá coquetel de lançamento dos livros “A ditadura da mídia”, do jornalista Altamiro Borges; e “Comunicação pública no Brasil: uma exigência democrática”, de Renata Mielli.

Mais informações:
www.vermelho.org.br

Investimento das estatais cresce 47,8% no primeiro semestre

As estatais investiram 47,8% a mais no primeiro semestre de 2009, na comparação com igual período do ano passado. O investimento chegou a R$ 29,7 bilhões, contra R$ 20,1 bilhões dos seis primeiros meses de 2008. Só as operações de crédito habitacional saltaram de R$ 4,9 bilhões no primeiro semestre do ano passado para R$ 10,2 bilhões neste ano, em conseqüência do programa Minha Casa, Minha Vida.

 


José Francisco Pereira é presidente da UGT Pará

 

Por que precisamos da jornada de 40 horas?

Aqui no Norte do Brasil, em plena abundância amazônica, podemos afirmar sem medo de errar, que somos um povo que tem a natureza ao alcance da mão. Temos o Rio Amazonas e milhares de igarapés maravilhosos. Frutas tropicais de todos os sabores e cores como o teperebá, a pitomba, a pupunha, o cupuaçú, o bacuri, a sapotilha, o muruci e o açaí.

Na nossa cozinha podemos degustar o caruru, o tacacá, o vatapá e o chibé. Além dos peixes que daqui impressionam o resto do mundo como o pirarucu, o tambaqui, o tamuatá, o tucunaré, a dourada, a pescada, a sarda, a piramutaba e o pacu.

Para nós do Pará e da Amazônia, a natureza é saborosa. Só falta tempo para curti-la junto com nossas famílias. Pois trabalhar 44 horas semanais, mais as horas extras, mais o deslocamento de casa para o emprego, nos mantém distantes de nossos filhos e, principalmente, longe da natureza.

De tanto trabalhar, a gente acaba distante da família e mais longe ainda do nosso habitat natural. Passamos meses sem um contato mais prolongado com nosso rio Amazonas. Sem sentir de perto o gostinho dos produtos da região. Vivemos pertinho da Selva Amazônica, como se fôssemos uns estranhos.

Por isso, a UGT Pará, junto com a UGT Nacional, está em plena campanha pela jornada de 40 horas semanais, sem redução do salário.

O que queremos, porque merecemos, é mais qualidade de vida num local que, o mundo inteiro sabe, temos a oportunidade de uma excelente convivência com a natureza.

É dessa vivência e interação com as coisas boas da terra, degustando nossas frutas e temperos tropicais, junto com nossas famílias, que teremos condições de adequar os conceitos de proteção ambiental, de estimular a formação de nossos filhos, de criar homens e mulheres do futuro que serão os responsáveis pela proteção da Selva Amazônica.

Com mais tempo criaremos o homem e a mulher do futuro, que através da convivência com a Amazônia, nos tornaremos gestores do desenvolvimento sustentável na região. Queremos a jornada de 40 horas semanais para ter mais tempo junto às nossas famílias e para conviver com a natureza, ao longo de nossas vidas, enquanto ainda temos energia transformadora e pudermos dividir, uns com os outros, nossos bens culturais.

A Amazônia e o Brasil são lugares maravilhosos. Muitos estrangeiros consideram aqui o Paraíso terrestre. Mais uma razão para desfrutarmos uma qualidade de vida que países como a Suécia, onde se trabalha 37,8 horas por semana, não têm. Ou a Alemanha, com sua jornada de 38 horas semanais, e a França, com 38,6 horas semanais, que provam como é possível adequar desenvolvimento com uma jornada menor.

Aqui, temos a grande responsabilidade de nos inserirmos no desenvolvimento sustentável da região. Mas temos que ter tempo para essa vivência. Além de poder estimular nossos filhos e filhas a colocarem a natureza regional na perspectiva de suas vidas.

Já conseguimos grandes avanços para a redução da jornada para as 40 horas semanais. A Comissão Especial da Câmara dos Deputados já aprovou a proposta por unanimidade. Vamos agora acompanhar a votação em plenário. É uma questão de bom senso. Votar pela qualidade de vida dos brasileiros, para continuarmos a investir no melhor patrimônio que temos: nosso futuro, através do cuidado direto de nossa natureza e da educação de nossos filhos e filhas.

José Francisco Pereira é presidente da UGT Pará