Cesta básica mais barata em
quase todas as capitais do País

A tendência de queda dos preços da cesta básica medidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) se confirmou em junho, quando o custo médio ficou abaixo do valor registrado em maio. Os preços do conjunto de itens essenciais caíram em 16 das 17 capitais pesquisadas.

Segundo o Dieese, as maiores reduções ocorreram em Manaus (-5,1%), Rio de Janeiro (-5%) e Vitória (-4,8%). Somente em Goiânia foi registrado aumento de preços da cesta básica (+ 5,2%) em comparação ao mês anterior, devido à alta do feijão.

Considerando o custo da cesta registrado em São Paulo (R$ 249,06), o brasileiro teve que trabalhar, em média, 94 horas e 56 minutos para ganhar o dinheiro necessário à aquisição da cesta básica. Menos tempo, portanto, do que as 97 horas e 39 minutos registradas em maio deste ano. O Dieese também estimou que o salário mínimo, em junho, deveria ser de R$ 2.092,36 (quatro vezes maior do que o valor atual, de R$ 510) para atender os preceitos constitucionais.

Deflação - O Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1) da Fundação Getulio Vargas (FGV), que reflete os gastos das famílias com renda até 2,5 salários mínimos, teve deflação de 0,38% em junho. Foi a menor taxa desde setembro de 2008 (-0,57%). A taxa também ficou abaixo do Índice de Preços ao Consumidor Brasil (IPC-BR), que reflete os gastos de todas as famílias, que ficou em -0,21% em junho.

Mais informações:
www.dieese.org.br
www.fgv.br

Direção da CTB aprova apoio a Dilma

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) definiu, durante reunião de sua direção plena em São Paulo, na quarta-feira (30), apoio à candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República. O apoio foi oficializado a partir da elaboração de uma resolução política, na qual é destacada a necessidade de apoiar a única candidatura capaz de dar continuidade ao projeto iniciado pelo presidente Lula.

“A CTB reconhece que, no campo progressista, a candidatura de Dilma Rousseff é a que reúne condições políticas efetivas para derrotar o candidato neoliberal e dar novo impulso ao processo de mudanças inaugurado pelo presidente Lula e seus aliados”, diz um dos trechos do documento.

Progressista - Na resolução política, a Central destaca que o Brasil, “que já atravessou dois ciclos econômicos – o que formou o Estado nacional e o que introduziu o País na sua relativa industrialização a partir de 1930, precisa e pode dar um salto na direção de seu terceiro ciclo”. Para a CTB, esta possibilidade se abre no confronto direto dos dois programas antagônicos – progressista e conservador – presente na eleição geral de 2010.

Mais informações:
www.ctb.org.br

Nair Goulart, da Força Sindical Bahia,
assume presidência adjunta da CSI

A presidente da Força Sindical Bahia, Nair Goulart, foi eleita para ocupar a presidência adjunta das Américas na CSI (Confederação Sindical Internacional), a maior organização sindical do mundo, durante o 2º Congresso Mundial da entidade, realizado em Vancouver, Canadá, entre os dias 21 a 26 de junho passado.

Segundo Nair Goulart, sua eleição mostra a posição cada vez mais destacada da Força Sindical e do Brasil nos organismos internacionais do trabalho, além de consolidar ainda mais a política de unidade das Centrais Sindicais brasileira, uma vez que ela foi indicada pelas três Centrais do País filiadas à CSI (Força, CUT e UGT).

“É um desafio assumir esta função, em um mundo globalizado, onde cada vez mais, se produz mais, com menos gente. Ter uma brasileira representando os trabalhadores das Américas numa entidade desse porte no mundo também é um reconhecimento muito grande. Quero dividir esta tarefa com o movimento sindical brasileiro, que mais uma vez demonstrou sua unidade”, ressalta.

CSI - Fundada em 2006, com sede em Bruxelas, Bélgica, a CSI representa 176 milhões de trabalhadores de 156 países, com 312 centrais sindicais filiadas. Nair destaca que sua perspectiva na entidade é atacar os grandes dilemas globais, como a situação da imigração “agravada por essa globalização selvagem”. “É preciso buscar um caminho para enfrentar este problema, que às vezes divide os próprios trabalhadores dentro de um mesma nação”, diz.

Mais informações:
www.nairgoulart.com.br

Fatos contra Serra

O pior que pode acontecer a um homem são os fatos passarem a conspirar contra ele. É o que vem se passando com o candidato José Serra, do PSDB. Vejamos:

1) sua imagem, inexoravelmente, está ligada ao governo Fernando Henrique, odiado pelo povo;
2) sua imagem, inexoravelmente, está ligada a Gilberto Kassab, um prefeito impopular, sua cria;
3) seu partido é dividido, sem discurso, distanciado dos movimentos sociais;
4) sua campanha é de oposição a Lula, de popularidade nos píncaros;
5) Sarney (e todo o seu esquema) não gosta dele;
6) o movimento sindical não gosta dele;
7) Alckmin não fecha com ele, que o deixou na mão na eleição para a Prefeitura de São Paulo;
8) os pedágios nas estradas paulistas acabam de subir;
9) teve de engolir um vice mauricinho, imposto pelo DEM-César Maia, jogando ao mar o senador Alvaro Dias;
10) Dilma, além de já estar liderando as pesquisas, terá 42% do tempo de propaganda na TV: ele terá 29%;
11) O Brasil cresceu 9% no primeiro trimestre.

Diz um livro antigo que, antes de matar um homem, os deuses primeiro o enlouquecem. Não sei se é o caso. Mas pode ser.

João Franzin é jornalista da Agência Sindical

Salão do automóvel será o maior

O salão do automóvel de 2010 será o maior em 50 anos de existência. Até o momento, 42 fabricantes e um grande número de importadores já confirmaram presença. O evento, que chega à sua 26ª edição e será realizado em outubro, em São Paulo, terá mais de 450 automóveis em exposição. O último salão, em 2008, teve 36 expositores e 400 modelos.

 


João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical



Reajuste do salário mínimo: questão
de coerência


Por João Guilherme Vargas Netto

É preciso persistir na política de recuperação acelerada do salário mínimo. É um imperativo de justiça social e de bom senso econômico.

O grande acordo entre as Centrais Sindicais unidas e o presidente da República estabeleceu para o reajuste anual do salário mínimo, em janeiro de cada ano, pelo menos, a reposição da inflação do ano que passou e o aumento real equivalente ao crescimento do PIB de dois anos antes.

Esta regra pressupõe o crescimento sustentado da economia (o que tem acontecido) e acata as limitações estatísticas na aferição temporal dos índices. Era prevista sua aplicação até 2023, período em que os sucessivos reajustes recuperariam o poder de compra do salário mínimo, aproximando seus valores do preceituado pela Constituição.

Com a crise mundial do capitalismo de 2009 afetando a economia brasileira e fazendo que o PIB deste ano tivesse um crescimento praticamente nulo, a aplicação da regra para janeiro de 2011 poderia ter um resultado nefasto, na contramão dos efeitos positivos que o próprio reajuste do salário mínimo em 2010 teve no enfrentamento e superação da crise aqui no Brasil.

A mão esquelética da crise sairia do túmulo para estorvar, dois anos depois, a continuidade do desenvolvimento.

Como a intenção é a de manter a política vitoriosa de aumentos do salário mínimo e como a regra estabelecida fixa, apenas, um Piso de reajustes, a proposta do movimento sindical e das Centrais Sindicais unidas é a de eliminarmos da conta os resultados do ano de 2009 e fixarmos o aumento real equivalente ao crescimento do PIB de 2010.

Qualquer atraso na obtenção dos índices poderia ser sanado por medida provisória com valor aproximado e previsível, que poderia ser corrigido na sequência.

Por exemplo: o crescimento do PIB de 2010 não será em dezembro, digamos, inferior a 7%; este seria o valor adicionado ao da inflação do ano, passível de ser aumentado tão logo os índices calculados confirmassem o resultado ou o ampliassem.

Esta solução tem muitos méritos; o maior deles é determinar, desde já, na lei orçamentária, a vontade de persistir com coerência na política correta de reajustes do salário mínimo, deixando para trás o fantasma de 2009.

João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores