Metalúrgicos da CUT apoiam avião sueco

Foto: Valter Bittencourt

A ofensiva sueca para vender seus aviões militares ao Brasil acaba de ganhar o apoio dos metalúrgicos da CUT. Segunda-feira (5), os presidentes da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT), Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, IF Metall (Suécia) e o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (ex-metalúrgico), concederam entrevista à imprensa, quando formalizaram apoio para compra do caça sueco.

O próximo passo, é entregar ao Presidente Lula a manifestação conjunta das entidades e do prefeito em apoio ao projeto sueco.

Os metalúrgicos apontam vantagens no Projeto Gripen, em relação ao que oferecem as concorrentes francesa e norte-americana. Carlos Alberto Grana, presidente da CNM/CUT lista as vantagens: transferência de tecnologia de ponta para o Brasil; geração de empregos; respeito às normas trabalhistas e à OIT (Organização Internacional do Trabalho), como a garantia de organização sindical nas fábricas que vão produzir os caças no Brasil e na Suécia.

Geração de empregos - Estima-se que os caças suecos possam gerar 1,2 mil empregos na região do ABC. Em todo o País, seriam 28 mil postos de trabalho (seis mil diretos e 22 mil indiretos), caso o governo federal escolha o Projeto Gripen, da sueca Saab, para renovar a frota da Força Aérea Brasileira.


Presidentes da CNM/CUT, Metalúrgicos do ABC, IF Metall e prefeito Marinho, assinam declaração

Segundo Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o que leva os metalúrgicos a apoiar o Projeto Gripen é prioritariamente a questão do emprego. “A luta sindical baseia-se na defesa dos empregos. Vamos apoiar quem de fato quer investir no País e não apenas exportar”, disse.

Apoio - A declaração conjunta é assinada por Luiz Marinho, ex-presidente da CUT e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC; Carlos Alberto Grana, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT; Stefan Löfven, IF Metal, Suécia; e Sérgio Nobre, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Mais informações:
www.cnmcut.org.br

Centrais condenam práticas antissindicais
e pedem fim às mortes no campo

As Centrais CUT, UGT, Força Sindical, CTB, CGTB e Nova Central divulgaram nota conjunta, na quinta-feira passada (1º), repudiando o assassinato a tiros do dirigente da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf-PA), Pedro Alcântara, ocorrido no dia 31 de março (quarta-feira), enquanto caminhava com a esposa.

Segundo a nota, o trágico episódio “só reforça a necessidade da união do movimento sindical para que juntos possamos promover ações de combate às práticas antissindicais no Brasil, principalmente às que atentam contra a integridade física e à vida de dirigentes e ativistas sindicais”.

Justiça - As Centrais informam que cobrarão da Justiça, do Ministério Público do Trabalho e das autoridades competentes que este crime e outros que já ocorreram não fiquem impunes. “É inadmissível que em uma sociedade democrática, as relações de trabalho, autonomia e liberdade sindical previstas em nossa Constituição sejam barbaramente descumpridas”, arremata a nota, assinada pelo Comando de Combate às Práticas Antissindicais, formado pelas seis Centrais.

Jornada de 40 horas é destaque no Estadão

A luta pelas 40 horas semanais avança na base, enquanto o movimento sindical acumula forças para conquistar no Congresso Nacional a redução legal da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário, com elevação do adicional da hora extra de 50 para 75%. A mobilização das Centrais Sindicais e os avanços das negociações diretas com as empresas foi destaque no jornal O Estado de S. Paulo, na segunda-feira (5).

A matéria ocupa toda a 1ª página do Caderno B (Economia& Negócios), com o título “Sindicatos conseguem reduzir jornada”. A página B3 dá continuidade ao assunto, com título para a mobilização que as Centrais vão desencadear a partir de abril, com atos e manifestações que ocuparão as ruas das capitais e maiores cidades do País. Segundo o Estadão, por força da pressão sindical na base, cerca de 32% dos trabalhadores formais já trabalham sob o regime de 40 horas semanais.

Mais informações:
www.estadao.com.br

UGT faz ato amanhã contra repressão em Cuba

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) fará protesto em solidariedade ao povo cubano em frente ao consulado de Cuba, em São Paulo (Rua Cardoso de Almeida, 2.115, Perdizes), na próxima quarta, dia 7. Diz a nota ugetista: “Vamos protestar em solidariedade ao movimento das Damas de Branco, formado pelas mães e irmãs dos prisioneiros políticos do regime cubano”. Para a UGT, “nenhum ideal político justifica a violência contra os que dele divergem”.

Boicote - A UGT defende, também, o “fim do criminoso embargo econômico imposto pelos Estados Unidos àquele país” e condena “a manutenção da prisão de Guantanamo” – violações essas que para a UGT configuram um desrespeito aos direitos fundamentais da dignidade humana e à soberania cubana. 

Mais informações:
Ricardo Patah (presidente da UGT) – Telefones (11) 9490.9438 e 7721.9279

PSDB e as 40 horas

Um trabalhador de Guarulhos perguntou, segunda-feira (5), a Paulo Pereira da Silva (Paulinho) como o PSDB vota as matérias trabalhistas no Congresso. “Quase sempre contra”, foi a resposta do parlamentar, durante encontro no Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região. E sobre a PEC das 40 horas? “Não podemos contar com o voto do Partido da Social Democracia Brasileira”. O presidente da Força Sindical também fez duras criticas ao presidenciável tucano: “Serra não gosta do movimento sindical”.

Banda larga chega a todas as escolas públicas até o fim do ano

O programa Banda Larga nas Escolas completa dois anos perto da meta de equipar todas as 64.879 escolas públicas urbanas do País com computadores de acesso rápido à internet, beneficiando 37 milhões de estudantes. Em 2009, 25.331 instituições de ensino público foram conectadas à rede e, em 2008, esse número foi de 17.681 escolas. Ao entrar no segundo ano, o programa alcançava 66% das escolas urbanas.

 



João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical

 

O poder do
salário mínimo

Quero alinhavar três análises que procuram entender o que se passa entre os trabalhadores pobres, os aposentados pobres, os subempregados e os desempregados que não são a base do nosso movimento sindical organizado.

Para André Singer, em artigo publicado na revista Novos Estudos, de novembro de 2009, Lula conquistou em 2006 os votos desta população, onde se misturam conservadorismo e reivindicações, com suas políticas sociais; já o pesquisador norte-americano Cesar Zucco, confirmando o achado, afirma que Lula atraiu os pobres das metrópoles. O cientista político de Yale e Princeton destaca o papel do Bolsa Família neste feito (ver Folha de S.Paulo, de 5 de abril). E Maria da Conceição Tavares, em importante entrevista para Teoria e Debate, de janeiro/fevereiro de 2010, reconhece esta base do “lulismo” e, ampliando a análise, cita os aumentos do salário mínimo como um dos elementos essenciais para a nova configuração política e social que deve orientar a atitude dos partidos progressistas.

Para os três há uma concordância: o povo pobre aderiu a Lula, garantindo-lhe o reconhecimento maciço.

O papel positivo desempenhado pelos reajustes do salário mínimo não pode, para quem analisa o movimento sindical e para seus dirigentes e ativistas, ser subestimado.

Os ganhos reais do mínimo – conquistados e garantidos pela interação entre a vontade política do presidente e a ação unitária das Centrais Sindicais – têm um poderoso reflexo sobre a economia (o mercado interno que nos salvou da crise e tem alavancado o crescimento do PIB), sobre a sociedade (melhoria da condição de vida dos mais pobres e ascensão social) e sobre o movimento sindical (vitória de uma estratégia unitária de caráter social não corporativo).

Eles afetam positivamente de maneira direta todos os que recebem o salário mínimo (nos mercados formais e informais de trabalho), os aposentados que o recebem e toda a grade de reajustes das aposentadorias (com ganhos reais, pela primeira vez, influenciados pelo avanço do salário mínimo), os Pisos salariais profissionais (que são pressionados de baixo para cima e melhoram as condições de negociação de diversas categorias), os salários mínimos regionais nos cinco Estados que o praticam e alteram para mais as parcelas do seguro-desemprego. Os efeitos positivos desdobram-se em todas as direções e abarcam a esmagadora maioria dos trabalhadores, contribuindo também para diminuir o desemprego com o desenvolvimento da economia.

O movimento sindical deve, com inteligência, compreender o alcance de sua vitória, reivindicá-la e orientar todo seu sistema de comunicação para sua divulgação, martelando incansavelmente os benefícios decorrentes dos reajustes do salário mínimo e o papel que desempenhou nesta conquista.

João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores