Nota oficial da Força chama Mantega
 de Robin Hood às avessas
(o centro da polêmica é o mínimo de R$ 540,00)

A chamada “área econômica” do governo tem sido, ao longo dos anos, a pedra no sapato do movimento sindical. Devido à visão fiscalista predominante, esse setor está sempre predisposto a dizer não às reivindicações dos trabalhadores. É o que se vê, agora, mais uma vez, com o reajuste do salário mínimo. E as reações já começam. A Força Sindical subiu o tom e, em nota oficial, critica o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Diz a nota:

“As declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantindo que o governo irá barrar qualquer proposta de reajuste para o salário mínimo para mais de R$ 540 demonstra claramente sua insensatez de burocrata. O infeliz comunicado revela que Mantega age como um Robin Hood às avessas, se curvando aos especuladores e virando as costas para os menos favorecidos. Ressaltamos que, juntamente com as demais Centrais Sindicais, vamos intensificar nossa luta pelo valor de R$ 580 para o Piso nacional.

 O ministro se esquece que salário mínimo digno é uma forma de distribuir renda, com forte impacto no fomento da economia, justamente quando Dilma Rousseff ao assumir a presidência da República sinalizou claramente que a principal meta de seu governo será a erradicação da miséria e a diminuição das desigualdades sociais existentes.

Vale lembrar que no ano passado o ministro Mantega também fez afirmações que o então presidente Lula iria vetar a Emenda de autoria do deputado federal, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, de reajuste para os aposentados de 7,7% - a equipe econômica tinha aprovado 6,14% - mas o presidente fez a opção pela Emenda do líder da bancada do PDT e presidente da Força Sindical.

Reafirmamos nossa confiança na sensibilidade social da presidente Dilma Rousseff em conceder um reajuste digno e justo para os 40 milhões de brasileiros que recebem salário mínimo e os aposentados que ganham valores acima do Piso nacional.

Erro de Lula - Um atento observador da cena sindical afirma que Lula errou na declaração acerca do valor do salário mínimo. O combinado, alerta a fonte, não foi indexar o mínimo ao PIB. O que se combinou - governo Lula e Centrais - foi uma política de efetiva recuperação do valor do salário mínimo.

Fonte: site da Força Sindical
www.fsindical.org.br

Ramalho será o primeiro sindicalista
da construção civil na Assembleia paulista

Histórias que precisam ser contadas. Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de São Paulo, assume, em 15 de março, cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Na última eleição, ele recebeu 62.387 votos, pelo PSDB.

Interessante é que Ramalho será o primeiro deputado peão na Assembleia paulista. A categoria já teve, nos anos 50, ao que parece, um vereador na Câmara paulistana. Seu nome era João Lousada, que não tinha procedência nordestina.

Aliás, e por paradoxal que possa parecer, a categoria, que já teve mais de 90% de nordestinos em sua composição, só veio ter um presidente nordestino nos anos 90, com a chegada de Ramalho à presidência. Ele, que paraibano, de Conceição do Piancó, conta que o Sindicato, só em 1998, e por sua iniciativa, teve uma mulher na diretoria. “Mulher e negra”, diz Ramalho.

Assaltos matam oito vigilantes em 2010
(categoria quer adicional de risco)

Oito vigilantes perderam a vida em 2010 durante assalto a bancos revela pesquisa feita pela Confederação Nacional
dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
O levantamento toma por base informações da imprensa, segundo as quais 23 pessoas foram mortas em assaltos envolvendo bancos em todo país durante o ano passado.
Entre as vítimas fatais, oito são vigilantes.

Além dos companheiros, oito clientes, dois policiais e um bancário perderam a vida durante os assaltos. Os casos ocorreram nos Estados de São Paulo (5), Rio Grande do Sul (3), Rio de Janeiro (3), Pará (2), Pernambuco (2), Paraná (3), Minas (2), Bahia, Maranhão e Distrito Federal.

Carro forte - Os números não incluem as vítimas de ataques a trabalhadores no transporte de valores, que, quase sempre, são alvejados na hora em que abastecem os caixas eletrônicos.

Risco - A conquista do adicional de risco de vida, em todo o País, é a grande bandeira unitária da categoria, que hoje agrega mais de 600 mil trabalhadores. No Estado de São Paulo, os trabalhadores em transporte de valores já recebem, por força de greve, adicional de 30% sobre o Piso da categoria. Na escolta armada, o adicional de risco, conquistado por meio de greve e negociado ano a ano, na data-base, já é de 23% do Piso.

Mais informações:
www.sindforte.org.br

Quércia e o sindicalismo:
história a ser contada

A imprensa omitiu muita coisa e fez um mal à biografia de Orestes Quércia, morto no final do ano. Na verdade, a mídia nunca engoliu a surra humilhante aplicada pelo emedebista, em 1978, ao candidato Carvalho Pinto (Arena), queridinho da elite.

O movimento sindical também vacilou, deixando passar batido a contribuição de Quércia para o sindicalismo. Como já lembrou, em certa ocasião, o jornalista e ex-deputado Fernando Morais, quando o bicho pegou no ABC, um dos parlamentares que enfrentou a repressão foi Quércia.

Na histórica Convenção, no Anhembi, quando Quércia derrotou Mário Covas, tornando-se candidato a vice-governador de Franco Montoro, havia muitos metalúrgicos na linha de frente, com Quércia. Há uma foto, a ser resgatada, em que Newton Cândido (metalúrgico comunista), na comemoração, carrega Quércia nos ombros.

Banda larga terá R$ 589 milhões para 1.173 cidades

Numa velha música (anos 70), ante o deslumbramento com as novas tecnologias, Gilberto Gil cantava: “Queremos saber/Quando vamos ter raio laser mais barato...”

A cantilena se repete, agora, com a internet. E a pergunta, atual, é: quando vamos ter banda larga mais barata?

A Telebras parece que quer responder, ao informar que
dispõe de R$ 589 milhões para implantar o Plano Nacional de
Banda Larga e conectar 1.173 cidades à internet por um custo de R$ 35,00 para o cidadão. O novo ministro das Comunicações,
Paulo Bernardo, enfatizou a importância do PNBL e afirmou que a democratização do acesso à internet será questão central para
o governo Dilma.

O Plano da Banda Larga tem apoio, irrestrito, do movimento sindical e dos blogueiros mobilizados por mais democracia na mídia.

Fonte: Agência Brasil
www.agenciabrasil.com.br


Ricardo Patah
é presidente
da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

 

Priorizar avanços
na educação

Por Ricardo Patah

Para a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a educação mudará a
nossa realidade social e econômica, com reflexos diretos na qualidade de
vida dos trabalhadores
e na eficiência das empresas, se contagiar
todo o país e se transformar em uma mobilização política
como a que nos garantiu, por exemplo, o controle
da inflação.

A exemplo do Plano Real,
a UGT propõe o plano nacional de educação,
que deverá ser referência cultural e política para o nosso povo.Terminadas
as eleições,já podemos avançar além dos
discursos de campanha
e exigir do governo, em todos os níveis, que a educação seja prioridade nacional, integrando a formação desde a
educação infantil, com a básica e a secundária
para desembocar numa nova capacitação universitária, mais humana, mais integrada, mais brasileira e universal.
Se é para levar a educação a sério, a ponto de termos um plano nacional de educação, temos que vincular investimentos a receitas.
E o Fundo Social do pré-sal pode, e deve, financiar a educação em todos os níveis, direcionando parte dos investimentos, por exemplo, para a formação técnica e profissional.
Dessa maneira,
resolveríamos um dos imensos gargalos sociais, que é a ocupação dos jovens que convivem com taxas de desemprego três vezes superiores aos níveis dos adultos.
Conseguiríamos, também, ampliar a ocupação destes rapazes e moças e mantê-los estudando e se preparando para entrar no mercado um pouco mais tarde, a exemplo do que já ocorre na França e na Alemanha.
Evitaríamos, assim, a exposição às influências criminosas, que encontram campo fértil nos grandes centros urbanos, com concentração de jovens cheios de energia e desocupados.
O plano nacional de educação que a UGT propõe permeará todas as políticas públicas, responsabilizará e ao mesmo tempo mobilizará todos os níveis e estruturas dos poderes da União, dos Estados e dos municípios, comprometendo, com metas e resultados, todas as instâncias de poder.
Vai também gerar políticas públicas muito mais interessantes do que discursos eleitorais.
Estamos, como brasileiros e trabalhadores, cansados de ter um sistema educacional que finge que ensina enquanto induz seus alunos a fingir que aprendem.
Por isso, vamos insistir para que se estabeleçam critérios de eficiência vinculados aos fluxos de investimentos.
Para a UGT, a educação deve ser investimento na cidadania que começa desde o berço, alocando investimentos na implementação da rede pública de creches, com inovações no atendimento e na gestão, envolvendo pais e mestres.
O plano nacional de educação vai nos ajudar a caminhar com orgulho em um cenário mundial em que o Brasil ocupará o lugar que merece como agregador de valores culturais, acadêmicos e
de desenvolvimento social.
Nosso povo não aceitará mais o obscurantismo das ditaduras, a brutalidade da concentração de renda e a exclusão de seus cidadãos, independente
de raça, região do país, opção sexual ou religiosa.
Esse é o Brasil que queremos.

Ricardo Patah
é presidente da União Geral dos Trabalhadores e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.