UGT promove 1º Encontro
de Comunicação

Cresce o debate sobre comunicação nas entidades sindicais. Em 2008, a CUT realizou seu Encontro, em São Paulo, tendo a comunicação como tema. Também em 2008, a Confederação Nacional dos Metalúrgicos, da Força, realizou encontro sobre o assunto. O 11º Congresso dos Metalúrgicos de São Paulo, em junho deste ano, abriu espaço para palestra sobre imprensa sindical.

Agora, é a vez da União Geral dos Trabalhadores (UGT) promover o 1º Encontro Nacional de Comunicação, dia 14, no Hotel Braston, Centro de São Paulo, a partir das 9 horas.
“Desde o ano passado, a UGT tentava realizar esse evento, mas, devido ao acúmulo em nossa agenda de atividades, só agora podemos concretizar a idéia”, explica Marcos Afonso, diretor de Comunicação da Central.

Inscrições – O Encontro é destinado a dirigentes de entidades filiadas à UGT e também a profissionais da imprensa sindical que atuam nessas entidades. Foi dada abertura extraordinária a alunos de jornalismo interessados. Inscrições até 10 de setembro, pelo e-mail: encom@ugt.org.br Para mais informações, o telefone é o 2111.7301.

Participantes
Foram convidados quatro palestrantes: Heródoto Barbeiro, radialista, apresentador de TV, professor e escritor; Sérgio Gomes, jornalista e diretor da Oboré; João Franzin, jornalista da Agência Sindical, apresentador de TV e escritor; e Pollyana Ferrari, jornalista, professora de jornalismo e escritora.
A UGT é presidida por Ricardo Patah, líder comerciário, que também apresenta o programa “Ideias em Debate”, na TV Aberta São Paulo.

Mais informações:
Marcos Afonso: 2111.7300 e 9977.8129.
www.ugt.org.br

Terceirizados Eletropaulo decidem por
greve de 24 horas no dia 9

A diretoria do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo aprovou um plano de lutas para os 5 mil funcionários das empresas terceirizadas prestadoras de serviço da Eletropaulo. Várias manifestações serão realizadas em protesto à desigualdade salarial, de benefícios e segurança que os terceirizados sofrem em relação aos funcionários diretos da empresa. O plano foi votado pelos trabalhadores em uma assembleia realizada no último dia 27.

Está agendada uma paralisação de 24 horas, no dia 9 de setembro. Caso não se chegue a um acordo com a direção da empresa, uma nova paralisação, dessa vez de 48 horas, está programada para o dia 22 e uma greve de 72 horas está prevista para o dia 1º de outubro.

Os terceirizados são responsáveis pela manutenção e ampliação da rede de energia, além do atendimento aos consumidores nos serviços de corte, religação e ligação nova. “Nosso objetivo não é realizar a greve, mas sim conseguir melhorar os salários, benefícios e condições de trabalho desses profissionais. Porém, se as empresas persistirem em tratá-los sem nenhum valor, tomaremos essa medida mais drástica”, informa Carlos Reis, presidente do Sindicato.

As empreiteiras prestam serviço para a Eletropaulo, principal distribuidora de energia da cidade de São Paulo e outros 27 municípios, que atende mais de 20 milhões de pessoas.

Mais informações:
www.eletricitarios.org.br

Metalúrgicos do ABC fazem assembleia hoje (4)

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC realiza assembleia geral da campanha salarial hoje sexta-feira (4), a partir das 18h, em frente à sua sede, na rua João Basso, 231, Centro de São Bernardo. A entidade representa 94 mil trabalhadores das cidades de São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

A assembleia vai discutir o andamento das negociações iniciadas no mês passado. A data-base da categoria é 1º de setembro. Os metalúrgicos do ABC se mobilizam para obter reposição das perdas da inflação do período (projetada em 4,7%) mais aumento real, além das cláusulas sociais, entre elas a que garante um dia livre no ano para o trabalhador fazer curso de formação no Sindicato.

“As negociações não estão fáceis. Como prevíamos, os patrões colocaram a crise na mesa. Temos de ampliar a mobilização”, declarou Sérgio Nobre, presidente do Sindicato.
 
Mais informações:
www.smabc.org.br

CUT lança livro sobre
memória sindical no dia 10

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) lançará, na próxima quinta-feira (10), o livro “O mundo dos trabalhadores e seus arquivos”. O evento será realizado na sede da Central e contará com a presença de Artur Henrique da Silva Santos (presidente da CUT), Quintino Marques Severo (secretário-geral) e Inez Stampa (pesquisadora do Arquivo Nacional).

“Nosso objetivo é fazer com que o movimento sindical se preocupe com a preservação de seus jornais, boletins, cartazes e documentos”, declarou Quintino. Ele informa que o livro é formado por 15 artigos de pesquisadores. Entre eles, Leonilde Sérvolo de Medeiros, sobre movimentos camponeses no Brasil, e John French, sobre o trabalho de arquivo em países da América Latina.

O lançamento está programado para ser iniciado às 18 horas. O endereço da Central é rua Caetano Pinto, 575, Brás, São Paulo.

Mais informações:
www.cut.org.br

Produção industrial paulista volta a crescer

Segundo dados do IBGE, a produção industrial paulista voltou a crescer em julho, depois de queda de 1,6% em junho, em relação ao mês anterior. A alta da produção de eletrodomésticos ajudou no avanço de 1,4% da indústria em julho. “São Paulo, que responde pela maior parte da indústria nacional, voltou a crescer, e em relação ao ano passado, vem apresentando queda cada vez menos intensa”, afirmou o economista da área industrial do IBGE, André Macedo.

 



Maurício Dias é jornalista e trabalha na revista CartaCapital

 

Uma imprensa antidemocrática

'A imprensa brasileira tem sido adversária histórica das instituições representativas do País"

Essa frase, um dos mais duros veredictos já feitos sobre a imprensa brasileira, é de Wanderley Guilherme dos Santos, professor aposentado de teoria política da UFRJ, fundador do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj) da Universidade Candido Mendes, e consagrado pela Universidade Autônoma do México, em 2005, um dos cinco mais importantes cientistas políticos da América Latina.
Ela é parte do começo de uma conversa em torno da histórica tendência golpista da imprensa brasileira, que começa assim:

"Com o fim da Segunda Guerra Mundial terminou também o Estado Novo brasileiro, ditadura civil que se iniciara em 1937. No mundo todo, mas em particular no Brasil, as elites políticas tradicionais se viram acompanhadas por um eleitorado em torno de 7 milhões, mais de dez vezes superior ao da Primeira República, e um movimento sindical legalizado e participante de algumas estruturas estatais, como os institutos de pensões e aposentadorias dos trabalhadores urbanos".

Segundo ele, a imprensa brasileira "sem embargo da retórica democrática", tornou-se a principal adversária das instituições representativas.

"A exemplo de toda a imprensa, denominada grande, latino-americana, "jamais hesitou em apoiar todas as tentativas de golpe de Estado, quando estas significavam a derrubada de presidentes populares ou o fechamento de congressos de inclinação mais democrática", denuncia Wanderley Guilherme.

"No Brasil - prossegue -, não existe um só jornal de grande circulação que se posicione a favor dos respectivos congressos nacionais, nas esparsas ocasiões em que estes parecem funcionar."

Por outro lado, ele anota que "toda vez que a direita recrudesce nas urnas, sempre encontra a simpatia midiática".

"No Brasil, o único período em que o governo contou com o respaldo de algum jornal de certa respeitabilidade foi durante o segundo governo Vargas, com a Última Hora. Não houve um único jornal popular, de grande circulação no Brasil, durante esse período", diz Wanderley Guilherme.

Última Hora também foi o único reduto jornalístico contra o golpe de 1964, que toda a mídia apoiou. Sem qualquer constrangimento.

Conceitualmente, ele lembra, a imprensa, além de ser um instrumento de difusão de informação e análise, é um ator político "na medida em que forma opinião, agenda demandas e que, eventualmente, beneficia ou cria obstáculos para governos".

Wanderley Guilherme comenta: "A imprensa brasileira exerce, e tem todo o direito, de ter opinião e preferências políticas. No Brasil, no entanto, ela diz que apenas retrata a realidade. É falso. Há muito da realidade que não está na imprensa e há muito do que está na imprensa que não está na realidade".

Não é novidade no mundo democrático. Novidade, como explica Wanderley Guilherme, é presumir e passar a impressão de que isso não acontece.
"A imprensa brasileira não tolera a ideia de governos independentes, autônomos em relação às suas campanhas. Isso implica um caminho de duas mãos. Significa que ela terá de sobreviver sem os governos. Então, é preciso que os governos precisem dela", conclui.

É um retrato do momento que o Brasil atravessa no alvorecer do Século 21.