Acordo garante contrapartida de empregos
no segmento de carros usados

As Centrais Sindicais, o Ministério do Trabalho e a Federação dos Sindicatos dos Revendedores de Automóveis (Fenauto) assinaram, nesta terça-feira (3), em Brasília, acordo inédito para manutenção e criação de postos de trabalho no segmento de seminovos.

Foto: Renato Alves

Ministro Carlos Lupi com representantes das Centrais Sindicais durante assinatura do acordo, nesta terça-feira, dia 3

“O que mantém o aquecimento da economia é o trabalhador. Nosso objetivo, com esse ato, é mostrar ao Brasil que o principal instrumento para sair de uma crise, que não foi gerada por nós, é o diálogo”, destaca Carlos Lupi. O ministro lembrou que é o primeiro acordo tripartite (trabalhadores, empregadores e governo) para manter empregos assinado após a crise.

O acordo foi assinado durante a oficialização da linha de crédito para empresas de comércio e varejo de carros usados, aprovada em 11 de fevereiro pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), que obriga as empresas beneficiárias dos financiamentos a manter postos de trabalho e criar condições para novas oportunidades. A estimativa é que cerca de 600 mil empregos diretos e indiretos deverão ser preservados.

Crédito - A linha de crédito para o segmento de seminovos vai financiar capital de giro para as empresas de comércio a varejo de carros usados e conta com R$ 400 milhões, sendo R$ 200 milhões via Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e R$ 200 milhões provenientes do Banco do Brasil (BB). A taxa de juros para quem comprar carro usado poderá cair a 1,2% ao mês.

Mais informações:
Telefone (61) 3317.6537
www.mte.gov.br

Montadoras dependem do Brasil
para compensar efeitos da crise

Cinco executivos das maiores montadoras de automóveis apontam o Brasil como um mercado fundamental diante da crise econômica que eclodiu nos Estados Unidos. “Para qualquer montadora, o País passou a ser fundamental na estratégia global”, afirma o diretor financeiro da General Motors, Fritz Henderson.

Com a redução do IPI, as vendas da GM no Brasil crescessem nos últimos meses. Já a matriz, que funciona há mais de um século em Detroit, EUA, é a automobilística mais atingida pela crise e pode abrir falência apesar do socorro oficial que obteve.

O presidente mundial do grupo Daimler (Mercedes Benz), Dieter Zetsche, declarou a O Estado de S.Paulo que o Brasil “é um dos países emergentes com maior potencial para o crescimento do setor automotivo no longo e médio prazo”. “Nossa esperança é de que a gama de alta classe no Brasil possa nos render bons frutos”, revela.

Planos - A Fiat vê o Brasil como “uma peça chave” nas contas globais da empresa. “Nossas vendas no Brasil são fundamentais em nossa conta global”, afirma o executivo Lorenzo Sistino. O presidente da Nissan para as Américas, Carlos Tavares, aposta que o Brasil e outros mercados emergentes compensem a crise. O presidente mundial da Kia, Eui-sun Chung, admite que o País estará nos planos da empresa no médio prazo.

Fonte: O Estado de S.Paulo
www.estadao.com.br

Força convoca manifestação por redução dos juros

Foto: Reinaldo Marques / Portal Terra

Centriais Sindicais durante ato contra os juros altos,
dia 21 de janeiro, emfrente ao BC, na Avenida Paulista

A Força Sindical está convocando todas as suas entidades filiadas para uma manifestação contra os juros altos, que será realizada dia 11 de março, data em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define a taxa básica de juros (Selic) que será fixada para as operações financeiras a serem realizadas nos 45 dias seguintes.

“As manifestações podem ocorrer junto com as entidades filiadas a outras Centrais Sindicais. É importante ressaltar a importância de atos em todos os Estados como forma de pressionar o governo sobre a necessidade de baixar a atual taxa Selic”, afirma João Carlos Gonçalves (Juruna), secretário-geral da Força Sindical.

Atualmente, a Selic está em 12,75%, após uma queda de 1 ponto percentual determinada na última reunião do Copom, realizada em 21 de janeiro. Naquela data as Centrais Sindicais realizaram grandes manifestações em todo o País, o que pressionou o Banco Central a efetuar o corte de juros.

Nova queda - No entanto, o movimento sindical considera que a redução de 1 ponto percentual na Selic ainda foi pequena, diante da forte retração econômica provocada pelos juros altos. Os sindicalistas lembram que a taxa de juros brasileira é a mais elevada em todo o mundo e pressionam por uma redução mais ousada.

Mais informações:
www.fsindical.org.br

Evento “Mulher Com Vida” vai emitir
Carteira de Trabalho no Anhangabaú

A rede de assistência e benefícios que o evento “Mulher Com Vida” mobilizará, nos dias 7 e 8 de março, no Vale do Anhangabaú, para atender mulheres em situação de rua, contará com uma tenda do Poupatempo para emissão de Carteira de Trabalho e outros serviços. O evento é uma iniciativa do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

Segundo o vice-presidente da entidade, José Gonzaga da Cruz, a presença de instituições como Poupatempo, Delegacia da Mulher, Sesc, Defensoria Pública, entre outras, valoriza o evento. “São organizações sérias, que somam forças contra a exclusão e pela dignidade da mulher”, explica Gonzaga. Ele destaca que, além da expedição de Carteiras de Trabalho, haverá intermediação de mão-de-obra com o apoio da Secretaria do Trabalho.

O “Mulher Com Vida” terá também a participação da Secretaria Municipal do Emprego, Unidade Básica de Saúde (UBS) da República, Sistema Integrado de Cartórios e Gerência Executiva do INSS-Centro.

Moradores - O ato organizado pelos comerciários de São Paulo conta, também, com apoio de diversos movimentos de moradores de rua, entre eles, o Movimento Nacional de População de Rua e o Movimento Estatual da População em Situação de Rua.

Mais Informações:
www.comerciarios.org.br

Câmera Aberta desta quarta (4) coloca
em debate o Dia Internacional da Mulher

(E exibe entrevista com Ministra Dilma)

O Câmera Aberta Sindical desta quarta (dia 4 de março) convidou a diretora do Departamento da Mulher do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Gleides Freitas Sodré; a presidente da União de Mulheres de São Paulo, Mariana Arantes Nasser; e o vice-presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, José Gonzaga da Cruz, que falará sobre o evento para mulheres excluídas, que a entidade realizará dias 7 e 8 de março, no Vale do Anhangabaú.


Câmera Aberta dia 25/2 que debateu prevenção às LER/Dort
com participação do Dr. Guilherme Franco Netto

Dilma - Programa exibe entrevista, feita pelo jornalista Robson Gazzola, dia 18 de fevereiro, durante reunião da ministra Dilma Rousseff com sindicalistas, na Força Sindical.

Sintonize - Quartas, das 19 às 20 horas, ao vivo, na TV Aberta São Paulo (NET 9, TVA 72); quintas, das 19 às 20 horas, reprise; em Guarulhos, pela TV Guarulhos, canal 20, toda quinta, das 19 às 20 horas; em São José dos Campos, pelo canal 95, na Vivax, toda quarta-feira das 19 às 20 horas e reprise às 23 horas; e em São José do Rio Preto, todo domingo, na TV da Cidade (Canal 16), às 20 horas, com reprise às terças-feiras, às 11 horas, e quintas-feiras, às 15 horas.

Participe: Faça sua pergunta ao vivo: 3877.0078
Assista pela internet: www.tvaberta.com
E-mail: cameraaberta@agenciasindical.com.br

Vendas de supermercados crescem 6,54%

As vendas nos supermercados cresceram 6,54% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2008. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o crescimento das vendas em janeiro ocorreu devido à manutenção do rendimento médio do trabalhador. “Os reflexos da crise ainda não chegaram à mesa dos brasileiros”, destaca a Abras. Além disso, a entidade ressalta que as ofertas e liquidações de janeiro também contribuíram para o aumento das vendas

 



Antônio Augusto de Queiroz
é jornalista, analista político e diretor do Diap



O “despreparo” do sindicalismo

Meto minha colher no debate sobre o papel das Centrais Sindicais diante da crise. O assunto ganhou maior relevância a partir das mais de 4 mil demissões da Embraer. A Folha de S.Paulo deste domingo mancheteou o tema e trouxe a polêmica como matéria principal, partindo de uma perspectiva em que as vítimas (os trabalhadores e o movimento sindical) se tornam réus.

Para se contrapor a essa visão reducionista e equivocada, destaco, em primeiro lugar, que é preciso reconhecer que o movimento sindical enfrenta maiores dificuldades em conjunturas marcadas pela desaceleração econômica, ampliação do desemprego e restrições democráticas. A luta dos trabalhadores condiciona e é condicionada por esses fatores, e não tem relação com o alegado despreparo das lideranças sindicais.

Todo dirigente sindical sabe, pela dura experiência, que nos momentos de crise é mais difícil mobilizar os trabalhadores. A agenda é mais defensiva - manutenção do emprego, do salário e dos direitos - do que ofensiva - manutenção e ampliação desses direitos. Esta é uma realidade objetiva, acima da vontade ou do “preparo” dos sindicalistas.

Em segundo lugar, o sindicalismo precisa, claro, ser independente dos governos, dos patrões e dos partidos. A independência deve ser seguida por uma correta avaliação do contexto político e econômico, sem perder de vista que, ao fim e ao cabo, o problema essencial do sindicalismo, no capitalismo, é como ter força diante dos patrões públicos e privados.

A correlação de forças é a base sobre a qual o sindicalismo deve definir suas táticas e orientar suas ações, sem cair em dois extremos: renunciar à luta e jogar todo o peso nas negociações ou, pelo contrário, abusar da retórica e cair em ações extremadas descoladas da realidade, que isolam e fragilizam os trabalhadores.

A literatura marxista já consagrou a tese de que, no capitalismo, independentemente de quem esteja no governo, o Estado é uma espécie de comitê gestor dos interesses da burguesia, contra os trabalhadores. Essa compreensão do papel da máquina do Estado não pode eludir a compreensão de que a ação sindical deve explorar todas as contradições, inclusive as possibilidades de atuação diante do Estado (executivo, judiciário, legislativo).

A mobilização, o maior protagonismo dos trabalhadores e a capacidade de negociação política funcionam como freios aos intentos das classes dominantes e do “seu” Estado. A sagacidade política dos trabalhadores pode inibir a tentativa de se jogar todo o ônus da crise nas costas de quem vive do trabalho. A disputa é desigual, mas esse movimento multilateral é, com certeza, o remédio mais adequado para dar um chega pra lá na crise.

Por último, mas não menos importante, cabe lembrar que os avanços democráticos conquistados no atual governo (legalização das Centrais Sindicais, relações civilizadas, valorização do salário mínimo etc) devem ser destacados. Representam uma mudança de qualidade na relação do sindicalismo com o poder público, a partir da chegada ao governo do presidente Lula. O oposicionismo sectário diante desse quadro é um desserviço aos trabalhadores.

Dizer isso não significa atrelar a ação sindical ao governo nem abdicar da necessária independência. A situação atual mudou para melhor em relação àquela existente na época da chamada Era FHC. A inteligência do movimento reside em saber se aproveitar dessa situação para fortalecer sua organização e aumentar sua capacidade de mobilização.

Colocadas as coisas nessa visão mais geral, o movimento sindical pode definir com equilíbrio e maturidade as prioridades para enfrentar os atuais desafios. As Centrais Sindicais devem definir uma agenda de propostas e um plano de lutas para combater a crise em seu conjunto, sem se limitar as escaramuças com cada empresa.

A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) tem insistido com o Fórum das Centrais com uma pauta básica: a redução das taxas de juros e dos spreads bancários, a ampliação do crédito e dos investimentos em setores de uso intensivo da força de trabalho, a defesa de mecanismos de proteção do emprego, do salário e dos direitos (como a redução da jornada de trabalho sem redução do salário e restrições às demissões imotivadas).

Essas propostas reúnem todas as condições de unir o movimento sindical brasileiro e abrir novas perspectivas de luta. Nessas horas, a unidade das Centrais é um imperativo classista, para além das divergências políticas e de concepções. Ou todos nos salvamos ou naufrágio será geral!