A presença do presidente Lula foi o grande destaque dos três atos de 1º de Maio, que marcaram o Dia do Trabalhador em São Paulo. Pela manhã, na festa da Força Sindical e CGTB, na Praça Campo de Bagatelle, Zona Norte da Capital, Lula falou das ações adotadas pelo seu governo para enfrentar os impactos da crise financeira mundial e destacou que, durante todo o seu mandato, os reajustes salariais dos trabalhadores tiveram aumento real.
Ao lado da ex-ministra Dilma Rousseff, Lula lembrou os tempos de sindicalista, dizendo: “Participei de greves num tempo que a inflação era de 80% e a gente fazia greve sem receber nada (salário)”. O presidente da Força, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), destacou conquistas dos trabalhadores nos últimos anos, como a negociação com o governo que resultou na política de valorização do salário mínimo. Jornada - Mais tarde, no ato organizado pela CTB, UGT e Nova Central, o presidente destacou que nas comemorações do 1º de Maio deste ano os trabalhadores também lutam para aprovar a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. “É preciso reduzir a jornada para 40 horas para que a gente possa colocar mais pessoas no mercado de trabalho”, disse. Lula e Dilma também participaram do ato convocado pela CUT, no Memorial da América Latina (Zona Oeste). O presidente fechou o ato com uma fala emocionada, onde se refeiu às realizações do seu mandato. Ele ressaltou: “Fomos leais àquilo que nos comprometemos quando assumimos o governo”. O presidente nacional da CUT, Artur Henrique, lançou oficialmente no evento a “Plataforma da CUT para as Eleições 2010”, que traz mais de 200 propostas. Mais informações:
Politização marca 1º de Maio deste ano A presença de Lula, de Dilma e de outros pré-candidatos nas próximas eleições deu um forte tom político ao 1º de Maio deste ano. Curiosamente, a politização – até que natural, em um ano de eleições decisivas para o Brasil – tira o argumento da suposta esquerda de que os atos de 1º de Maio das Centrais são muito politizados, e dá argumento aos conservadores de que o 1º de Maio se desvia de seu rumo, justamente por introduzir a questão política. Na verdade, a politização do 1º de Maio é um salto de qualidade com relação às grandes festas, quase sempre regadas a música ruim e a muitos prêmios. O recado que fica é o de que o movimento sindical, enquanto força social, está dizendo que quer ocupar o papel político a que tem direito, inclusive sinalizando os candidatos de sua preferência. Como, aliás, fazem grandes Centrais pelo mundo, como nos Estados Unidos e Japão, onde elas indicam, abraçam e patrocinam candidaturas. Patrocínio - Desatenta aos fatos reais e movida por seus preconceitos de classe, a mídia nacional deu uma verdadeira barrigada com questão do patrocínio. Ao tentar colar no 1º de Maio das Centrais o carimbo, falso, de evento chapa branca, a imprensa se esqueceu de perguntar quem estava pagando a conta do evento de evangélicos em Santa Catarina – onde José Serra fez campanha e até rezou. Esse esquecimento obrigou a Folha de S.Paulo da segunda-feira a chamar na primeira página: “Ato com apoio a Serra recebe R$ 540 mil em verba pública”. No caso, verba tucana.
Trabalhadores na Itaesbra em Diadema ganham jornada menor O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC firmou acordo que garantiu a redução da jornada de trabalho de 44 para 42 horas para os trabalhadores da metalúrgica Itaesbra, em Diadema. Além da redução da jornada, a licença maternidade foi ampliada para 180 dias. Pelo acordo assinado com a fábrica, que tem cerca de 500 trabalhadores, a redução da jornada para 42 horas será gradativa.
Francisco Leite, do Comitê Sindical, informou que as conversas com a empresa sobre a redução da jornada aconteciam desde o ano passado. “Mas, se não fosse a ajuda dos trabalhadores, nada teríamos conseguido”, comentou. Mais informações:
Lupi eleva a 2,5 milhões previsão de empregos para 2010 O ministro Carlos Lupi (Trabalho) afirmou, na sexta-feira (30), véspera do Dia do Trabalho, que a previsão de vagas a serem geradas no Brasil em 2010 foi elevada, podendo alcançar a marca de 2,5 milhões de empregos formais este ano.
Lupi lembrou que, se a previsão se confirmar, o número de empregos gerados será maior do que a soma dos dois últimos anos, quando foram criados 2,4 milhões de vagas. O número levará o País ao recorde histórico e absoluto de cerca de 14 milhões de novos postos de trabalho abertos em 8 anos. Desde 2003, foram criadas 12,4 milhões de vagas. “Precisamos continuar garantindo os avanços sociais conquistados nos últimos anos, quando conseguimos dividir melhor a renda do País entre os trabalhadores”, opinou. Mais informações:
Sindicato dos metalúrgicos de Guarulhos comemora 47 anos Os 47 anos de fundação da entidade foram comemorados, na última sexta-feira (30), com uma grande festa no ginásio poliesportivo do Clube de Campo do Sindicato. Os associados mais antigos receberam homenagens – além de várias autoridades, entre elas o deputado federal Paulo Pereira da Silva (Paulinho), o prefeito Sebastião Almeida e líderes sindicais – durante um jantar dançante. O presidente do Sindicato, José Pereira dos Santos, ressaltou que a trajetória da entidade sempre se pautou pela prática do sindicalismo-cidadão: “Os mais antigos sabem que nosso trabalho é todo voltado para nossa base. Os que estão na ativa, os aposentados e também a comunidade”. Homenagens - O associado Valter de Jesus Oliveira, sócio há mais de 40 anos, comentou: “Você não imagina o quanto é importante ser lembrado, homenageado numa festa bonita como esta, com minha família aqui presente. Não tenho palavras para agradecer”. Após a solenidade, o cantor Nilton César interpretou canções românticas da jovem guarda. Mais informações: |
O capitalismo é o sistema econômico que mais transformou a face da humanidade até aqui – como o próprio Marx havia reconhecido no Manifesto Comunista. Porém, a estrutura central do capitalismo se articula pela separação entre os produtores da riqueza e os que se apropriam dela, entre os trabalhadores e os capitalistas. Esse processo de alienação do trabalho – em que o trabalhador entrega a outro o produto do seu trabalho – percorre todo o processo produtivo e a vida social. O trabalhador não se reconhece no que produz, não decide o que vai produzir, com que ritmo vai produzir, qual o preço de venda do que ele produz, para quem ele vai produzir. Ele é vítima do trabalho alienado, que cruza toda a sociedade capitalista. Ele não se reconhece no produto do seu trabalho, assim como o capitalismo não reconhece o papel essencial do trabalhador na sociedade contemporânea. A luta dos trabalhadores, ao longo dos últimos séculos foi a luta de resistência à exploração do trabalho. Esta se dá pela apropriação do valor do trabalho incorporado às mercadorias, que não é pago ao trabalhador e alimenta o processo de acumulação de capital. Não por acaso o 1º de Maio, dia do Trabalhador, foi escolhido para recordar o massacre de trabalhadores em mobilização realizada em Chicago, pela redução da jornada de trabalho – uma das formas de busca de diminuição da taxa de exploração do trabalho. Neste ano o tema central do 1º de Maio será o da diminuição da jornada de trabalho. A grande maioria da população vive do seu trabalho, acorda bem cedo, gasta muito tempo para chegar a seu local de trabalho, onde ficará a maior parte do seu dia, gastando muito tempo para retornar, cansada, apenas para recompor suas energias e retomar no dia seguinte o mesmo tipo de jornada. Para trabalhar de forma alienada e receber um salário que, em grande parte dos casos, não basta sequer para satisfazer suas necessidades básicas. Uma vida tão sacrificada produz todas as riquezas do País, embora não tenha o reconhecimento e a remuneração devida. Só isso bastaria para que um dos objetivos nacionais devesse ser o da redução da jornada de trabalho. Que o desenvolvimento tecnológico não seja apropriado pelos grandes capitalistas para maximizar a taxa de lucro, mas reverta para a diminuição da jornada de trabalho, para o pleno emprego, para a melhoria das condições de trabalho da massa trabalhadora. Que o Brasil conclua os dois mandatos de um trabalhador como presidente da República, diminuindo a jornada de trabalho! Emir Sader dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia |
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