O setor da construção civil incorporou 103 mil pessoas ao mercado de trabalho no segundo semestre do ano passado, quantia que representa um crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período de 2008.
A pesquisa apontou também o aumento da formalização no setor, ou seja, mais empregadores assinaram a Carteira de seus funcionários. O Dieese registrou ainda que ocorreram variações no tempo da jornada de trabalho, de acordo com a região do País. Em São Paulo, houve redução na jornada de 44 horas, em 2008, para 43 horas no segundo semestre do ano passado. Já em Recife, os peões trabalharam 48 horas por semana no período pesquisado e, em 2008, foram 46 horas semanais de trabalho. Salários - O levantamento apontou que o rendimento médio dos trabalhadores caíram 13,7% em Belo Horizonte, 8,9% em Recife, 6,2% em Salvador e 1,1% no Distrito Federal. Apenas em São Paulo e em Porto Alegre observou-se uma relativa elevação nos rendimentos dos trabalhadores: 11,1% na capital paulista e 8% na capital gaúcha. Mais informações:
Paulinho e Armando Monteiro debatem O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (Paulinho), e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado federal Armando Monteiro Neto, debatem a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais na TV Câmara. O programa deve ir ao ar nesta quarta-feira (3), às 22h30. Paulinho luta na Câmara dos Deputados para incluir a Proposta de Emenda Constitucional 231/95, que trata da redução da jornada e aumento do adicional de hora extra de 50 para 75%, na pauta de projetos que vão a votação no plenário da Casa no primeiro semestre deste ano. A proposta de redução da jornada é defendida por todas Centrais Sindicais. Já o deputado Armando Monteiro, representante da bancada empresarial na Câmara, tem liderado a pressão sobre a Mesa Diretora para que a matéria não seja votada pelo plenário este ano. O discurso patronal tem sido o mesmo, sempre que está em jogo a ampliação dos direitos dos trabalhadores: impactos negativos na economia, desemprego e estímulo à informalidade. Hora extra - Ontem (2), o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), José Paulo Dornelles Cairoli, esteve com o presidente da Câmara, Michel Temer, para pedir que a matéria seja retirada da pauta. O empresário alegou que o aumento da hora extra trabalhada vai impedir o comércio de abrir aos domingos em função dos custos trabalhistas. Mais informações:
CUT/SP treina mulheres na fiscalização de políticas públicas
A CUT São Paulo lançou, na segunda-feira (1º), o curso de Promotoras Legais Populares, que tem como objetivo capacitar trabalhadoras e sindicalistas de diferentes categorias para atuar na defesa de direitos e cidadania, propondo e fiscalizando políticas públicas voltadas para a mulher. O curso está entre as atividades da Central em comemoração aos 100 anos do Dia Internacional da Mulher. “Quando é agredida, a mulher muitas vezes está sozinha e sem saber como agir. Esse curso possibilita formar multiplicadoras de informação sobre como combater a violência, seja no trabalho ou nos lares”, comenta a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT/SP, Sônia Auxiliadora. No evento, a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Nacional, Rosane Silva, destacou a necessidade da ratificação da convenção 156 da OIT, que prevê a responsabilidade compartilhada entre homens e mulheres na criação dos filhos. Cotas - A ex-ministra da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, lembrou sua militância no movimento negro e feminista, além de defender o sistema de cotas nas universidades. Mais informações:
Temer crê na aprovação das 40 horas Se Michel Temer conhece o terreno onde pisa, e conhece, então parece certo que, indo à votação, a PEC das 40 horas passa. São dele as palavras: “Tenho sentido lá na Câmara que, em um ano como este, se a matéria for a plenário, aprovam-se as 40 horas. Eu não tenho dúvida”. Reação - O patronato da mídia tem reagido e buscado armar sua contra-ofensiva. A Folha já publicou editorial sobre o tema e agora (terça) é a vez do Estadão que, além de emitir sua opinião contra, publica artigo do professor José Pastore, que, em seu fecho, não deixa dúvidas sobre a posição do consultor empresarial: “A decisão está com os senhores deputados. Em breve, saberemos quem busca realmente a geração de empregos e quem usa essa proposta com o fim exclusivo de captar os votos dos eleitores iludidos”. João Franzin
Marta Suplicy com comerciárias A ex-prefeita Marta Suplicy (PT) participa de encontro com lideranças sindicais comerciárias. Será na segunda-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, às 11 horas. Assunto do encontro: participação da mulher no trabalho, no sindicalismo e na política. A Federação dos Comerciários, local do encontro que deve reunir 150 lideranças da categoria no Estado, é rua Mituto Mizumoto, 320, bairro Liberdade, região central de São Paulo. Mais informações:
Site disponibiliza conteúdo direcionado
“A acessibilidade não é só física, mas também de informação. Com a internet cada vez mais presente em nossas vidas, é importante proporcionar as mesmas ferramentas para que todos possam realizar sua própria inclusão digital. Nesta cidade em que o ir-e-vir ainda é difícil, nada mais oportuno que este novo canal de informação”, afirma a vereadora paulistana Mara Gabrilli, que apoia o projeto por meio do instituto que leva seu nome. Desenvolvido pela agência Espiral Interativa, o Vida Mais Livre traz conteúdo direcionado, como reportagens especiais, dicas de lugares acessíveis, políticas públicas e entrevistas com especialistas da área. Mais informações:
Brasil já é o 4º maior mercado de automóveis do mundo em 2010 Nos dois primeiros meses do ano, o País passou ao quarto lugar em venda de automóveis do mundo, atrás apenas de China, EUA e Japão. Em 2009, o Brasil era o quinto. A quarta colocação era da Alemanha. Em janeiro e fevereiro foram vendidos 434 mil carros no Brasil, enquanto a Alemanha comercializou 376 mil no seu mercado interno. |
Por Ricardo Patah O Brasil vive desafios que vão, há anos, muito além do gerenciamento de frustrações como as criadas pela falta de liberdade, pela inflação galopante, pelas consequências de uma crise financeira global. Por isso, temos agora a legitimidade de trazer para o debate a redução da jornada de trabalho. Hoje, respiramos democracia com seus atores (empresários, sindicalistas, parlamento e executivo) agindo de maneira transparente dentro do Congresso Nacional, nas páginas dos jornais e revistas e nas mídias eletrônicas através de blogs, sites e troca constante de informações. É nesse contexto de civilização que nos antecipamos às tendências que nos permitem, independentemente da posição que ocupemos no espectro de classe ou político, humanizar nossas relações sociais e de produção. A redução da jornada de trabalho para 40 horas (ou até mesmo para 42 horas como algumas propostas) é boa para o Brasil como o foi a redução de 48 horas para 44 horas semanais adotada na Constituinte de 1988. De lá para cá, o Brasil aumentou a produtividade e fortaleceu seu mercado interno e no meio do caminho ainda gerenciamos a inflação. Contestando os argumentos de que a redução da jornada para 44 horas semanais seria inflacionária. Agora, alguns setores empresariais apostam em argumentos que fazem parte do jogo político, mas que no seu conteúdo, acredito, está fora da realidade. Por exemplo, alguns empresários defendem a ideia de que o trabalhador brasileiro custa caro. Uma Carteira assinada com R$ 1 mil custa, em média, R$ 1.229,10 por mês, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos), com a inclusão no custo total do 13º salário, do adicional de 1/3 de férias e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, além da proporção mensal do que receberia em caso de demissão sem justa causa. O custo da mão de obra manufatureira no Brasil, de acordo com o U.S Department of Labor, Bureau of Labor Statistics, com dados de 2009, é de 5,96 dólares por hora. Enquanto nos Estados Unidos o custo é de 24,59 dólares e na Alemanha chega a 37,66 dólares, por hora. Mas voltemos aos ganhos sociais e humanitários de uma jornada reduzida. Primeiro, sobrará mais tempo para o trabalhador e trabalhadora cuidar deles e de suas famílias. Cuidar de si através de investimento de mais horas na requalificação, absolutamente necessária neste ambiente de ameaça de apagão de mão de obra qualificada. A família trabalhadora, responsável pela renovação da força de trabalho, terá mais atenção dos pais na educação dos filhos. Pais que hoje consomem um tempo enorme na rotina produtiva e no deslocamento entre suas residências e postos de trabalho, nos grandes centros. Além disso, segundo o Dieese, a redução da jornada terá um impacto perceptível na oferta de novos empregos, agregando de um milhão a dois milhões de novos trabalhadores, que com seus salários ampliarão a base de consumo e permitirá ao Brasil enfrentar com algum sucesso uma das piores distribuições de renda no mundo. Há ganhos para todos: empresários que se beneficiarão com um mercado interno mais forte. Trabalhadores com a geração de mais vagas e com a possibilidade de se inserirem produtivamente na economia. E, principalmente, ganhará a família trabalhadora e seus filhos, que, com os pais mais próximos, terão ganhos imediatos na qualidade da educação e se tornarão aptos a ajudar na consolidação de uma economia moderna. Que será, naturalmente, liderada pelos empresários que hoje sabem que a redução da jornada é um excelente investimento social, político e econômico do País. Ricardo Patah é presidente nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT) |
|||
![]() |
||||