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![]() Câmera Aberta exibido dia 25/2 que debateu prevenção às LER/Dort |
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A edição número 1 do Jornal do PT, junho de 1988, inaugurou a editoria sindical com matéria de página inteira sobre a Embraer. Vivia-se, então, no governo Sarney; a empresa era estatal, com forte ingerência da Aeronáutica.
Na época, a Embraer, com 11.534 empregados, dispunha de unidade fabril em Botucatu (para aviões leves) e duas subsidiárias, na França e nos Estados Unidos.
O choque entre capital e trabalho era duro. Diz a matéria: “O presidente do Sindicato, José Luiz Gonçalves, acaba de ser absolvido de um processo movido pela Embraer, responsabilizando-o pela agressão a um guarda da empresa. Mas, na verdade, o agredido foi ele: na campanha salarial de 1985, ao tentar distribuir boletins no pátio da empresa, foi derrubado, chutado e agredido com cassetetes. Ficou quatro dias no hospital, com escoriações e sintomas de traumatismo craniano.”
Informa o Jornal do PT: “A primeira greve na Embraer foi realizada em 1981, contra a demissão de 400 metalúrgicos”. Segue o texto: “No ano seguinte, nova greve, por aumento de salários”. E vai contando a reportagem de Juarez Guimarães: “Em 21 de julho de1983, no ensaio da greve geral, os trabalhadores decidiram parar. Foi aí que aconteceu a primeira invasão da fábrica por tropas da Aeronáutica”.
Porradas - No olho da matéria, o Jornal revela o grau de conflito e ingerência: “Ministério da Aeronáutica usa baionetas e métodos fascistas”. O delegado sindical Edmilson Rogério de Oliveira sente o clima pesado após seguidas demissões. Após ser imobilizado e ter o braço torcido pelo brucutu, o chefe da segurança da Embraer o empurra aos berros: “Cachorro. Liderança de merda. Vou esfregar sua cara no chão!”
Pesquisa: João Franzin/Agência Sindical
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O primeiro encontro entre representantes dos bancários e a direção do Itaú Unibanco, após a aprovação da fusão pelo Banco Central (BC), ocorrerá nesta terça-feira (3), às 14h30, no Centro Empresarial Itaú Conceição (Ceic). Os bancários vão cobrar respostas às reivindicações dos trabalhadores, visando preservar os empregos na nova instituição.
“Queremos a suspensão das demissões enquanto durar o processo de fusão. Essa resposta reduziria o clima de insegurança em que vivem os 108 mil bancários das duas instituições financeiras”, afirma Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
No dia 20 de fevereiro, bancários das duas instituições denunciaram que ocorreram cerca de 200 desligamentos em setores da holding, como o Itaú BBA e a seguradora. Segundo o jornal Valor Econômico do dia 25, de uma equipe de 30 analistas da corretora do Itaú, cerca de metade foi cortada. De acordo com a reportagem, a soma de analistas de Itaú e Unibanco daria cerca de 60 pessoas que, depois dos corte, resumiu-se a uma equipe de 25 apenas.
Lucro – Ao mesmo tempo em que ocorriam as demissões, a instituição financeira anunciava que Itaú e Unibanco lucraram juntos R$ 10 bilhões em 2008. “Essa é mais uma prova de que demissões são injustificáveis”, destaca Luiz Cláudio.
“Apresentamos uma série de propostas à direção do banco para que sejam evitadas dispensas não apenas de bancários, mas de trabalhadores de todo o grupo. E ouvimos que a resposta a essas propostas seria dada logo após a autorização da fusão pelo BC. Esperamos que haja retorno positivo nessa negociação de terça-feira”, acrescenta.
Os bancários também propuseram a criação de um centro de realocação interno, a implementação de um programa de incentivo à aposentadoria e a ampliação em 20% dos postos de trabalho nas agências bancárias, entre outros itens apresentados.
Mais informações:
Telefone (11) 3188.5330
www.spbancarios.com.br
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O Banco Central (BC) ampliou as informações sobre o ranking das taxas médias de juros disponíveis para consulta em sua página na internet, oferecendo ao usuário a possibilidade de consultar o histórico das taxas, por data de publicação e modalidade.
A série disponível tem início no último dia 5 de fevereiro, data em que o BC alterou a forma de divulgação das taxas. O objetivo do banco é permitir que o interessado possa identificar rapidamente a composição de juros dos serviços ou aplicações que procura e, com isso, calcular o spread médio fixado por cada instituição.
Juros altos - Apontado como maior responsável pelo encarecimento do crédito, o spread é a parte variável entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que cobram na concessão do empréstimo, incluindo a margem de ganho das instituições financeiras.
Mais informações:
www.bcb.gov.br
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O Ministério do Trabalho disponibilizou em seu site o livro “Análises de Acidentes do Trabalho Fatais no Rio Grande do Sul”, uma publicação em parceria com a superintendência regional do Trabalho (SRT/RS). Além de divulgar as ações desenvolvidas pelos auditores, o livro busca o aprimoramento das análises de acidentes e a sua prevenção, servindo como material de estudo para todo o mundo do trabalho.
Por meio de números levantados no Sistema Federal de Inspeção do Trabalho (SFIT), a publicação aborda os mais diversos tipos de acidentes, tais como durante limpeza de tanque reator, de telhado, de mesa com solvente; manutenção de máquina, de botijões de gás, de rede elétrica; e operações de reboco em fachada de edifício. Outros, durante colheita e intervalo de repouso e alimentação também completam a lista.
Setor mais crítico - Foi observado que a morte por acidente de trabalho está distribuída em todas as faixas etárias, o que inclui crianças e adolescentes. A área de maior incidência de morte é a da construção civil. Segundo o estudo, a maioria dos acidentes é evitável e decorrente do não cumprimento das normas regulamentadoras (NRs).
O livro reforça ainda que deve haver o incentivo à mobilização da inspeção do trabalho que se antecipe às cargas horárias, aos riscos ocupacionais e às consequencias do trabalho inseguro, nocivo, perigoso ou penoso.
Mais informações: imprensa do MTE
Telefone (61) 3317.6537
www.mte.gov.br
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O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu pela segunda vez seguida, passando de 75,3 pontos para 76,3 pontos entre janeiro e fevereiro. O levantamento também mostra que, em comparação com janeiro, o Índice de Expectativas (IE) teve recuperação, passando de 72,5 pontos para 75,2 pontos. De 1.072 empresas consultadas, 23,4% declararam acreditar na melhora no cenário econômico, ante 12,8% verificado em janeiro.
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Altamiro Borges é jornalista e escritor
Demissões e reestatização
da Embraer
Por Altamiro Borges
Num golpe baixo, que desmascara as bravatas sobre a ''responsabilidade social das empresas'', a Embraer aproveitou o feriadão de Carnaval para demitir 4.200 operários, transformando suas vidas numa prolongada ''quarta-feira de cinzas''. No ano passado, sem maior alarde, ela já havia dispensado outros 700 trabalhadores. A desculpa, que já virou chavão do patronato para instalar o clima de terrorismo nas empresas, foi a da ''crise mundial''.
De forma truculenta, ela se recusou a receber o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e rejeitou medidas alternativas ao facão, como férias coletivas ou licença remunerada. A Embraer foi cruel e arrogante!
As demissões evidenciam toda a ganância do capital. Em 2008, ela bateu recordes de produção e venda de aviões e obteve a maior rentabilidade da sua história. Foram fabricadas 204 aeronaves e a projeção para este ano, mesmo com a alardeada crise, é de 246 unidades.
No primeiro semestre, a Embraer elevou seus lucros em 73%, embolsando quase R$ 240 milhões; a sua receita superou os R$ 5 bilhões. Ou seja: a produção aumenta e os lucros crescem, mas os trabalhadores são jogados na rua; os que ficam trabalham num ritmo mais intenso e desumano. A jornada média de trabalho na empresa é de 43,5 horas semanais, a maior do setor aeronáutico no mundo.
Diante destes recordes de lucro, a alegação da Embraer não cola. Até o presidente Lula teria se irritado com as desculpas esfarrapadas. Mas isto não basta. É preciso tomar medidas duras para conter a ganância patronal. Entre outras, é urgente reavaliar a política de subsídios às empresas.
Nos últimos anos, a Embraer recebeu R$ 8,2 bilhões do BNDES para ampliar a sua produção. Parte deste recurso público pode ter sido usada para instalar unidades da empresa no exterior, como a prevista em Portugal; outra pode servir agora para pagar indenização aos demitidos. Não há qualquer cláusula que obrigue as empresas subsidiadas a manterem o nível de emprego.
Outra medida que volta a ser defendida é a da reestatização da Embraer. A empresa hoje é líder mundial na produção de jatos comerciais de pequeno porte. Para alcançar este patamar, ela teve generosos subsídios públicos. A sua própria privatização, em 1995, foi bancada com recursos do BNDES, numa operação criminosa de vende-pátria do governo FHC.
Como afirma o jornalista Beto Almeida, ''se o Estado faz aporte de capitais para uma Embraer que destina sua produção ao exterior, ele também pode fazê-lo para recuperar o controle acionário da empresa''. Ele lembra que outros países do continente caminham nesta direção. Cristina Kirchner acaba de reestatizar a Aerolíneas Argentinas e Hugo Chávez recriou a Empresa Aérea Nacional, a antiga Viasa.
Para o integrante do conselho diretivo da Telesur, o momento é ideal para reverter as nefastas privatizações e para reaver o patrimônio público. A crise capitalista, agravada pela desregulação neoliberal, recoloca na ofensiva os que defendem o papel ativo do Estado e enterra os mitos do capital.
''De um dia para o outro, a empresa cantada em loas como produtiva, rentável, exemplar, moderna e primeiro mundista mostra toda a sua cruel fragilidade e a sua selvageria laboral... Os recursos do BNDES, recursos dos próprios trabalhadores, agora são usados para seu sacrifício''.
É evidente que tais medidas - da contrapartida no uso dos recursos públicos ou da reestatização - dependem de forte pressão social. Apesar da aparente ''irritação'', o presidente Lula não parece disposto a enfrentar o terrorismo do capital. Daí a importância dos protestos dos metalúrgicos e do apelo ''à solidariedade urgente'' na luta pela reintegração dos demitidos.
A unidade é essencial para barrar a ofensiva do patronato. Superando sectarismos, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, expoente da Conlutas, juntou-se à Força Sindical numa audiência no Tribunal Regional do Trabalho. Também recebeu o irrestrito apoio da CTB e de outras Centrais.
Nesse rumo, não ajuda em nada a guerra travada entre a Conlutas e a CUT, que a mídia patronal tem instigado descaradamente. O Painel da Folha adora estimular a divisão. A disputa por bases sindicais ou os discursos sectários contra as ''traições'' não ajudam a construir a unidade na luta.
Altamiro Borges é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição)
