Centrais Sindicais fazem vigília
para reduzir jornada

As seis Centrais Sindicais realizam vigília no Congresso Nacional para cobrar dos congressistas a inclusão na pauta da Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95 que regulamenta a jornada de trabalho em 40 horas semanais, sem redução de salário.

Fotos: Laycer Tomaz / Ag Câmara

Enquanto aguardavam o início da sessão solene de abertura dos trabalhos legislativos em 2010, militantes das seis Centrais brasileiras fizeram um verdadeiro “corredor polonês” em um dos corredores que dá acesso ao plenário da Casa.

“Queremos que o presidente da Câmara, Michel Temer, cumpra com o compromisso que ele firmou no final do ano passado e coloque o projeto em pauta”, destacou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres.

Os manifestantes entregavam panfletos e pediam aos deputados e senadores que o projeto fosse votado com rapidez. Antes da concentração na Câmara, os sindicalistas foram ao aeroporto de Brasília, onde recepcionavam os deputados e senadores que desembarcavam com distribuição de panfletos e slogans como “Reduz pra 40 que o Brasil aumenta e o empresariado aguenta”.

Entusiasmo - “Isso que estamos fazendo hoje é muito importante para manter a militância aguerrida e mostrar para o Congresso que nós não vamos desistir das nossas bandeiras só porque é ano eleitoral. Ao contrário”, disse o secretário geral da CUT, Quintino Severo.

A PEC já foi aprovada por todas as comissões na Câmara e sua aprovação, na comissão especial que normalmente é criada para avaliar o mérito das propostas de emenda à Constituição, se transformou em campanha que mobilizou parlamentares nas duas Casas.

Agenda - A programação das Centrais, que é reforçada pelas Confederações, Federações, Sindicatos e o Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) nos dias 2 e 3 de fevereiro prevê: pela manhã: ação conjunta no aeroporto de Brasília; durante o dia: audiências com lideranças de bancadas, visitas a parlamentares de todos os partidos; e à tarde: militantes fazem vigília no Congresso Nacional.

Mais informações:
Nas Centrais CUT (www.cut.org.br), Força (www.fsindical.org.br), UGT (www.ugt.org.br), Nova Central (www.ncst.org.br), CTB (www.portalctb.org.br) e CGTB (www.cgtb.org.br)
FST – www.fstsindical.org.br

Sindicalistas pressionam Congresso a votar 40 horas

O início das atividades no Congresso Nacional em 2010 foi marcado pela presença de centenas de sindicalistas, que realizaram atos em defesa da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. As seis Centrais Sindicais (CUT, Força, UGT, Nova Central, CTB e CGTB) reuniram cerca de 1.500 dirigentes sindicais ativistas para uma vigília.

“Se não tiver votação, nós vamos para a greve. Achamos que é hora de fazer isso. O Brasil voltou a crescer e é hora dos trabalhadores reivindicarem”, ressaltou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho). “Ninguém está pondo a faca no pescoço, dizendo que é 40 horas ou nada. Estamos dispostos a negociar”, acrescentou.

Segundo Paulinho, os trabalhadores decidiram atuar em várias frentes: “Muita mobilização nos locais de trabalho e pressão para os patrões negociarem a jornada de 40 horas. Queremos sensibilizar os parlamentares no Congresso Nacional”, afirmou.

Bom humor para abordar parlamentares no aeroporto de Brasília

Foto: Guina

A mobilização das Centrais na manhã desta terça (2) no aeroporto de Brasília foi marcada pelo bom humor e alto astral. Das oito às 10 horas, deputados e senadores que desembarcavam eram recebidos por dezenas de dirigentes sindicais, que entoavam slogans como “Primeiro o pré-sal, o Carnaval e depois 40 horas”.

Vida melhor - “40 horas semanais darão mais tempo para o lazer, família e para namorar. E ainda vão criar mais de 2 milhões de empregos”, dizia o presidente da CUT, Artur Henrique, ao megafone.

Neste clima, alegre e cordial, os sindicalistas cobravam dos parlamentares a inclusão do PEC das 40 horas entre as prioridades do primeiro trimestre. Apesar de dirigido preferencialmente aos parlamentares, o ato e a panfletagem acabou envolvendo todos os passageiros que desembarcavam no Juscelino Kubitscheck.

Festa colorida em defesa da jornada menor

Foto: Portal CTB

As Centrais Sindicais aproveitaram o início das atividades no Congresso Nacional para mostrar que a classe trabalhadora não está “dormindo no ponto”. Mais de 1.500 sindicalistas se reuniram, a partir das 11 horas, no hall de entrada do salão verde da Câmara para pressionar os deputados a votar, o quanto antes, a PEC das 40 horas.

Segundo o secretário-geral da CTB, Pascoal Carneiro, trata-se de uma bandeira histórica da classe trabalhadora, que tem importância estratégica para o movimento sindical e foi levantada como prioridade pela Central desde o congresso de fundação, em 2007.

Articulação - A agenda dos sindicalistas incluiu reunião com o presidente da Câmara, Michel Temer, para debater a inclusão da PEC 231/95 na pauta de projetos que serão votados no plenário. Os dirigentes das Centrais também se reuniram com líderes das bancadas durante a tarde de terça.


“Essa unidade entre as Centrais ocorre mesmo com diferenças ideológicas e é ótimo para todos que estejamos juntos”


Luís Antônio Festino, diretor de assuntos trabalhistas da Nova Central

 


Cícero Martinha é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

 

40 horas vai
gerar
2 milhões de novas vagas

Por Cícero Martinha

Em 1988 quando os trabalhadores brasileiros se organizaram e pressionaram o Congresso Constituinte pelas 44 horas semanais (antes trabalhávamos 48 horas por semana), os patrões organizaram uma campanha contra o Brasil e nós trabalhadores.
Para os patrões e seus porta-vozes, o Brasil pararia caso fossem adotadas as 44 horas semanais. Haveria desemprego, ninguém mais contrataria novos trabalhadores e o caos econômico se instalaria no País.

Passados 20 anos, ficou provado que a campanha dos patrões contra a redução da jornada de 48 horas para 44 horas, sem redução de salário, era terrorista e mentirosa. O Brasil nunca progrediu tanto nestes últimos 20 anos. Com ganhos em todos os aspectos, seja na produtividade dentro das empresas, na qualificação dos nossos trabalhadores e, até mesmo, na lucratividade das empresas que antes eram contra a redução da jornada.

Agora, vamos avançar para as 40 horas semanais. A gritaria dos patrões tenta repetir o terrorismo de 1988. Claro que não vai adiantar, pois os trabalhadores estão cada vez mais organizados.

Agora, temos nossas Centrais Sindicais reconhecidas. Temos nossa imprensa ativa e que chega às fábricas. Temos muito mais liberdade de organização dentro e fora das fábricas.

Além disso, vivemos agora um ano eleitoral. E sabemos, direitinho, como funcionam os mecanismos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Por isso, reproduziremos os telefones e e-mails das lideranças dos partidos. São estes deputados e senadores que têm que colocar em pauta a votação das 40 horas semanais. E serão eles os responsáveis caso a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não aprovem a redução da jornada, sem redução de salários.

Queremos 40 horas semanais para passar mais tempo com nossas famílias, ajudar nossos filhos nas lições de casa, viver mais a nossa própria vida e gastar um tempinho com a gente na própria requalificação profissional.

Os patrões, por enquanto, só apostam no terrorismo. Mas nós, trabalhadores, vamos apostar na democracia e na pressão em cima dos deputados federais e senadores, que virão até nós em busca dos votos da reeleição. E só terão nossos votos se aprovarem, antes das eleições, as 40 horas semanais. Para gerar mais de 2 milhões de novos empregos.

Cícero Martinha é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá